Programa apresentado por Silvio Santos marcou década de 80 (Divulgação/SBT)
Para os telespectadores saudosos da programação televisiva da década de 80 uma novidade: o SBT vai voltar a exibir a “Porta da Esperança”, um dos maiores clássicos da história do canal.
De acordo com o portal “UOL”, a atração será um dos novos quadros do“Programa do Ratinho” no próximo ano. O apresentador Carlos Massa, 59, anunciou a informação há alguns dias na telinha. O SBT também confirmou o retorno mas ainda não informou a data de estreia.
No último final de semana, Silvio Santos, 84, declarou em seu programa que havia “vendido” a “Porta da Esperança” para Ratinho. “Sabe que eu vendi um programa meu? O Ratinho comprou o meu programa, ‘Porta da Esperança’. Pagou bem”, brincou o dono da emissora que comandou a atração há mais de 30 anos e que consistia em realizar os sonhos das pessoas que escreviam para ele.eja como estão os atores de 'Carrossel'A reprise da versão brasileira da novela infantil é sucesso entre as crianças. Confira as mudanças de alguns integrantes do elenco
"Quem não se comunica, se trumbica!", "Terezinha, uuuuuhhh!", "Vocês querem bacalhau?", "Eu vim para confundir, não para explicar!" e "Na televisão nada se cria, tudo se copia". Quem não se lembra destes bordões de José Abelardo Barbosa de Medeiros, ou simplesmente, Chacrinha? O "Velho Guerreiro", como também era conhecido, foi um dos ícones da televisão brasileira nos anos 80 com o seu Cassino do Chacrinha, exibido com grande sucesso nas tardes de sábado. A direção era de José Aurélio “Leleco” Barbosa, filho do apresentador, e de Helmar Sérgio.
Gravado no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro, Chacrinha comandava o programa, que misturava atrações musicais e show de calouros. Eram duas horas de diversão e irreverência, uma das principais características da personalidade de Chacrinha, cujo programa de auditório estreou em 1982, na Rede Globo, ficando no ar até 1988, ano em que ele morreu, vitimado por um câncer de pulmão. Naquele ano, Chacrinha chegou a ser substituído pelo humorista João Kleber, durante quase um mês.
O formato do programa era simples. No palco ficava a plateia, os jurados e as dançarinhas, chamadas de chacretes, sempre com um figurino diferente a cada semana. No programa se apresentavam grandes nomes da música popular brasileira e também cantores anônimos que sonhavam por uma chance. A brincadeira de jogar bacalhau veio da mente brilhante de Chacrinha, quando o supermercado Casas da Banha começou a patrocinar o programa. Gênio da TV, gênio do merchand.
O programa já começava com música, ou seja, com o tema de abertura do Cassino do Chacrinha, que dizia assim:
Abelardo Barbosa Está com tudo e não está prosa Menino levado da breca Chacrinha faz chacrinha Na buzina e discoteca
Ó Terezinha, ó Terezinha é um barato o cassino do Chacrinha Ó Terezinha, ó Terezinha é um barato o cassino do Chacrinha
A música era cantada por todos, e até hoje quem viveu intensamente os anos 80 nunca esqueceu a letra. Os jurados eram chamados para compor a mesa e depois começava efetivamente o programa que misturava show de calouros, atrações musicais e concursos como, por exemplo, a mais bela estudante.
Além de seus bordões e frases que marcaram época e até hoje são repetidos, outra marca registrada do Chacrinha era jogar para a plateia alimentos como bacalhau, abacaxi, pepino, mandioca, frutas, entre outros. O bacalhau, por exemplo, era um dos mais disputados pelas pessoas que assistiam ao programa. Saia até briga.
Os calouros que se apresentavam no programa nem sempre se davam bem, e levavam buzinada na cara, além de ganharem o troféu abacaxi. No entanto, quem se saía melhor ganhava prêmios em dinheiro. A plateia ia a loucura com os artistas.
Em 2012, os saudosistas do Cassinho do Chacrinha ou quem ainda não tinha nascido nos anos 80, mas já tinha ouvido seus pais comentarem sobre o programa pode acompanhar através do Canal Viva a reprise do programa. Mais uma vez, a exibição foi um sucesso.
O primeiro grande destaque do Cassino do Chacrinha era, claro, "O Velho Guerreiro". Ele comandava o programa com carisma, simpatia e irreverência e com uma boa dose de humor debochado. Ninguém ficava indiferente ao seu figurino, cujas roupas eram extravagantes, engraçadas e coloridas. No entanto, o figurino que mais marcou a figura de Chacrinha foi formado por calça, colete, casaca, cartola, gravata borboleta enorme, flor de plástico e uma buzinha que ficava pendurada em seu pescoço, e que era acionada sempre que algum calouro desafinava. Até hoje o seu figurino é um dos mais imitados.
Ficar em frente a televisão nas tardes de sábado era um compromisso assumido por milhões de brasileiros, que se divertiam com os calouros que se apresentavam no palco do programa, e cantavam junto com os artistas que se apresentavam no Cassino do Chacrinha, apresentando os seus maiores sucessos. Assim, quem fazia sucesso nos anos 80 tinha que passar pelo palco do Cassino do Chacrinha. Se apresentaram no programa cantores como Roberto Carlos, Simone, Alcione, Fagner, Joana, Rita Lee, Cazuza, Marina, Pepeu Gomes, Raul Seixas, Lobão, Marquinhos Moura, Sidney Magal, e grupos musicais como Roupa Nova, Titãs, RPM, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Doutor Silvana, entre muitos outros que passaram por lá.
Quem ajudava a abrilhantar o programa e deixava os homens babando eram aschacretes, as dançarinas profissionais do programa, que se apresentavam vestindo maiôs bem comportados. Enquanto os cantores se apresentavam no palco, elas faziam coreografias ensaiadas para acompanhar os artistas. No entanto, Chacrinha também fazia com que elas tivessem os seus momentos de maior visibilidade, chamando-as para o centro do palco e pedindo para que dançassem de forma sensual. Os homens vibravam com a performance, calro. Rita Cadillac, Fátima Boa Viagem, Fernanda Terremoto, Índia Amazonense, entre tantas outras fizeram sucesso e mexiam com o imaginário masculino. Algumas mexem até hoje!
Além das chacretes, os jurados do Cassino do Chacrinha também eram uma atração à parte. Quem não se lembra da irreverência da atriz Elke Maravilha com suas roupas extravagantes e grandiosas, e suas perucas e maquiagem chamativas? Sempre de bem com a vida, Elke Maravilha era a alegria em pessoa e sempre fazia um comentário mais engraçado ou picante quando ia comentar a performance dos calouros. E como não lembrar do mal humorado radialista e Rei Momo do carnaval, Edson Santana, considerado o algoz dos calouros? Os dois participavam como jurados fixos. No entanto, outros nomes importantes da época como Carlos Imperial, Rogéria, Pedro de Lara e Aracy de Almeida também passaram pelo programa do Chacrinha. Além é claro dos jurados convidados, normalmente formados pelos artistas da Rede Globo como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Vera Fischer, Ney Latorraca, Mário Gomes e muitos outros.
Outro grande destaque no programa era o contrarregra Russo, fiel escudeiro do Chacrinha e que estava sempre a postos para ajudar o "Velho Guerreiro".
Considerado o primeiro comunicador do Brasil, Abelardo Barbosa, ou Chacrinha, nasceu em Surubim, Pernambuco. Ele chegou a cursar dois anos de medicina, mas quis o destino que ele desembarcasse no Rio de Janeiro, em 1939, após ter feito algumas apresentações na Europa como percussionista juntamente com o grupo Bando Acadêmico. Estava decidido a ser locutor de rádio.
Chacrinha estreou na rádio Tupi como locutor, passou pela Rádio Fluminense e chegou a rádio Clube de Niterói, onde apresentou um programa de músicas de carnaval "Rei Momo na Chacrinha". Como a emissora onde ele trabalhava ficava numa chácara pequena e o comunicador se referia ao local como a "chacrinha", ele passou a ser conhecido como Abelardo "Chacrinha" Barbosa. Mais tarde, ele passou a ser conhecido artisticamente somente como Chacrinha. Na rádio Clube de Niterói, ele comandou ainda o programa "Cassino do Chacrinha", um grande sucesso.
Sua história na televisão começou na TV Tupi, onde Chacrinha teve a sua primeira oportunidade, estreando o programa Rancho Alegre, em 1956. Foi na Tupi, que ele estreou a Discoteca do Chacrinha, programa que também apresentou na Rede Globo. Depois da Tupi, Chacrinha passou ainda pela TV Rio, Rede Globo e TV Bandeirantes, porém foi na Rede Globo que ele ganhou mais visibilidade. Na emissora, o "Velho Guerreiro" apresentou os programas "Buzina do Chacrinha", "Discoteca do Chacrinha" e "Cassino do Chacrinha", fusão de seus programas de auditório anteriores.
Em 1987, ano anterior de seu falecimento, recebeu o título de professor honoris causa da Faculdade de Cidade. Foi um ano marcante para Chacrinha, que também foi homenageado pela Escola de Samba Império Serrano no carnaval do Rio de Janeiro com o enredo "Com a boca no mundo, quem não se comunica…".
Abelardo Barbosa teve um casamento que durou 41 anos até sua morte, com dona Florinda Barbosa. O casal teve 3 filhos: Jorge Abelardo, José Amélio e Zé Renato. No dia 30 de julho de 1988, perdemos o grande e inigualável Chacrinha, um monstro da TV brasileira que fez história, mudando a telecomunicação e inspirando muitos até os dias de hoje. Mais de 30 mil pessoas se apertou pelos corredores do Cemitério São João Batista para dar o último adeus ao mestre.
Bozo. O nome pode ser um dos sinônimos de palhaço, um verdadeiro mito que nos anos 80 foi sucesso absoluto entre a criançada. O programa do palhaço Bozo foi exibido pelo SBT (emissora de Silvio Santos) durante longos anos. Na década de 1980, o programa se tornou muito popular entre as crianças e foi um fenômeno de faturamento e venda de discos (foram três discos de ouro). Também foi um recorde de permanência no ar, já que durava das 8h às 18h em algumas épocas. No Brasil, o programa recebeu ainda muitos prêmios como cinco Troféus Imprensa. Quer saber de onde veio a ideia do palhaço Bozo?
Criado nos Estados Unidos em 1946 por Alan W. Livingston, para uma série de álbuns e conjuntos de livros ilustrativos para as crianças, Bozo fez muito sucesso em vários países do mundo. Sua carreira na televisão começou em 1949, sendo Larry Harmon um dos primeiros a interpretar o palhaço. Harmon comprou os direitos do personagem, e o transformou em uma franquia de muito sucesso.
O programa do palhaço Bozo chegou a ser produzido em mais de 240 estações de televisão em 40 países. Nos Estados Unidos, mais de 200 atores interpretaram o palhaço em diferentes canais locais. Bob Bell foi o Bozo por 25 anos. Bozo nos EUA é literalmente um sinônimo para a palavra palhaço.
Com seu cabelo espetado cor de fogo, nariz de palhaço, roupa colorida, maquiagem exagerada e pés enormes, Bozo conquistou as crianças. Carismático, Bozo tem o poder de encantá-las e falar com elas de forma doce, ensinando-as sem ser didático.
Ao conferir o sucesso de Bozo nos Estados Unidos, o gênio Silvio Santos apostou na versão brasileira do palhaço. E ele estava certo. Bozo se transformou no amiguinho da criançada por pouco mais de 10 anos. Ele começou a sua carreira na televisão brasileira na TV Studios (TVS, atual SBT Rio de Janeiro), sendo transmitida em conjunto pela TVS e pela Record (na época, Sílvio Santos era dono das duas emissoras). Depois a TVS passou a se chamar SBT.
A estreia do programa, que era gravado em São Paulo, ocorreu em 15 de setembro de 1980, sendo a sua última exibição em março de 1991. Com o tempo, o programa se tornou um dos maiores clássicos infantis da televisão brasileira e até hoje ele é lembrado por adultos, que quando crianças tinham a companhia do Bozo nas manhãs e tardes do SBT, de segunda a sábado.
Bozo foi interpretado por vários atores, mas o primeiro a assumir a identidade do palhaço no Brasil foi Wandeco Pipoca (escolhido pelo próprio Larry Harmon), entre os anos de 1980 e 1982. Depois vieram Luís Ricardo, Charles Myara, Arlindo Barreto, Nani Souza,Décio Roberto, Marcos Pajé e Jean Santos. Décio Roberto foi o último ator a interpretar Bozo antes de o programa sair do ar devido a não renovação do direito da licença do personagem com Larry Harmon Pictures, detentora dos direitos autorais do palhaço.
No início, havia um revezamento de atores na interpretação do palhaço. Em São Paulo, por exemplo, em 1983, os atores eram Luís Roberto e Arlindo Barreto. Já na TVS no Rio, Charles Myara e Nani Souza divertiam a criançada na pele do Bozo. A partir de 1985 o programa passou a ser produzido somente em São Paulo.
O programa do Bozo teve vários formatos, mas o primeiro era um circo. Depois vem a fase em que Bozo ficava sozinho no estúdio. Sentado em uma cadeira ele chamava os desenhos, promovia sorteios e brincava com as crianças que telefonavam para participar dos jogos, e consequentemente ganhar prêmios. Aliás, como o programa era ao vivo, Bozo sofreu alguns trotes que até hoje são clássicos.
Quando o programa ganhou auditório, Bozo recebia seus amiguinhos com uma música. Quem teve o Bozo como companhia durante a sua infância com certeza cantou muito e até hoje se lembra da letra de “1, 2, 3… Vamos Lá!”.
Tema de Abertura
Alô Criançada o Bozo chegou Trazendo alegria pra vocês e o vovô Estamos trazendo muito amor
1, 2, 3 e vamos nós
Eu sou o palhaço, meu nome é Bozo Bozo, Bozo, vamos brincar Sempre rindo eu e vocês Eu sou o Bozo o palhaço de todos vocês
Vamos amigos vamos cantar La, la, la, la, la, la La, la, la, la, la
Cantar e alegria Cantemos também Cantem, cantem, como nós…
Estamos prontos vamos nós Cantem comigo, brinque também Fiquem rindo isso é bom Suas risadas são tão legais
Fiquem rindo igual a mim Eu sou o Bozo o palhaço de todos vocês.
Bozo não apresentava o programa sozinho. Ele tinha a companhia de personagens como Vovó Mafalda, Papai Papudo, Salci Fufú e o gorila King Bozo. Também não faltavam os fantoches Maroca, Candinha, Zico, Zecão e outros. Entre as brincadeiras famosas destaque para a "Bozo Corrida", a divertida brincadeira de corrida de cavalinhos que inspirava crianças a gritar a cor preferida do animal diante da TV e a torta na cara. Ah! Também tinham Bozo Memória e Batalha Naval.
Apesar de estar fora do ar desde 1991, Bozo não foi esquecido pela emissora de Silvio Santos, e em 21 de maio de 2011, ele foi homenageado no Festival SBT 30 Anos, em um programa de 75 minutos de duração. Luiz Ricardo foi quem voltou a vestir a roupa do palhaço após 20 anos. No mesmo ano, o SBT assinou contrato com a Larry Harmon Pictures para que o palhaço voltasse ao ar no Brasil.
Antes de voltar com o seu programa, em 2012, Bozo passou por um período de testes no comando do Bom dia & Cia juntamente com outros apresentadores, e chegou a incomodar a concorrência. No entanto, somente no início de 2013 é que Silvio Santos decidiu ressuscitar o palhaço Bozo. O anúncio de que Bozo voltaria à grade da emissora foi anunciado com pompa e circunstância. Ele veio para substituir o Sábado Animado.
Bozo voltou acompanhado dos personagens Vovó Mafalda, Papai Papudo, Salci Fufú e os bonecos Zecão, Lili, Maroca e Macarrão. O cenário colorido, as brincadeiras, a alegria, e os hits Tumbalacatumba,Chuveiro, Chuveiro e 1, 2, 3… Vamos Lá também estavam no novo programa. Parecia que a velha fórmula iria funcionar mais uma vez!
Com a volta de Bozo, o objetivo era apelar para a nostalgia, fazendo com que os adultos que acompanharam o programa quando criança pudessem trazer para a frente da televisão um novo público, ou seja, seus filhos, conquistando assim uma nova geração de telespectadores. No entanto, o sucesso não foi o mesmo, a audiência não correspondeu ao esperado pela emissora, apesar de conseguir ficar em segundo lugar várias vezes, e Silvio Santos resolveu aposentá-lo. O programa Bozo nas manhãs de sábado, das 9h às 12h45, durou apenas três meses (de 16 de fevereiro a 4 de maio).
Mas, como o contrato com a Larry Harmon Pictures, que cedeu os direitos do palhaço e de um desenho homônimo para a emissora, continua até 2014, Bozo e Vovó Mafalda não foram demitidos e passaram a apresentar o infantil Bom Dia & Cia, num rodízio com outros apresentadores como os atores de Carrossel e os palhaços Patati Patatá. Mais tarde Vovó Mafalda foi trocada por Papai Papudo para acompanhar o Bozo. Assim sendo, O Bom Dia & Cia é exibido nas manhãs de sábado em esquema de revezamento com o Sábado Animado.
Vovó Mafalda – Carismática, carinhosa com todos e sempre bem-humorada. Era interpretada por Valentino Guzzo.
Papai Papudo – Simpático palhaço velhinho que faz o tipo de humor pastelão. Interpretado pelo comediante Gibe. Em 2013, Murilo Bordoni era seu novo intérprete.
Salci Fufú – Inventor mal-humorado, somente ele acredita em suas invenções sem utilidade. Era interpretado pelo comediante Pedro de Lara. Em 2013, o personagem ganhou nova roupagem e intérprete, Marcelino Leite.
Zecão é um cachorro inocente, o melhor amigo de todos. Adora cantar rap.
Lili é uma cobrinha muito educada e elegante. Defende seus amigos com fervor.
Maroca é uma papagaia egocêntrica e de voz esganiçada. Acha que é melhor em tudo o que faz.
Macarrão é um ser bem-humorado, sarcástico. Tira onda com todo mundo.
Além do Cassino do Chacrinha que era exibido nos anos 80 na Rede Globo, o público também tinha como opção assistir ao Clube do Bolinha, programa de auditório exibido nas tardes de sábado pela Rede Bandeirantes. Apresentado por Édson Cury, popularmente conhecido como Bolinha, o programa estreou em 1974, ficando até 7 de maio de 1994 quando a emissora paulista tirou o programa do ar. Era um dos líderes de audiência da emissora, tendo alcançado oito pontos no Ibope.
O Clube do Bolinha se tornou um dos programas mais populares do Brasil, e o apresentador, uma das figuras mais marcantes da TV brasileira. Com um estilo irreverente, marcado pelo visual de camisas de seda super coloridas, Bolinha era um apresentador carismático que se divertia muito ao apresentar o quadro "Eles e Elas", no qual havia shows de travestis, drag queens e transformistas. O quadro fazia um enorme sucesso e era um dos principais do programa.
O programa também era vitrine para os grandes nomes da música brasileira na década de 1980. Muitos artistas consagrados ou que estavam em início de carreira se apresentaram no palco do Clube do Bolinha, tendo Bolinha, inclusive, revelado muitos talentos da música brasileira. Quando já eram famosos, vários artistas foram ao seu programa agradecer o apoio ao início de suas carreiras, entre eles Arnaldo Antunes e Leandro & Leonardo.
Quando o programa entrava no ar, a indefectível música tema começava:
Bolinha, bolinha está na hora de você entrar na linha Bolinha, bolinha está na hora de você entrar na linha Cantando bem você ganha os parabéns Cantando mal vá cantar no seu quintal! Bo,bo, bo, Bolinha está na hora de você entrar na linha Bo,bo, bo, Bolinha está na hora de você entrar na linha
Uma das marcas registradas do programa eram as "Boletes", as dançarinas e ajudantes de palco que trabalhavam no programa. Elas não chegaram a ser tão famosas quanto asChacretes, porém também mexiam com o imaginário do público masculino que assistia ao programa. Uma delas, porém, se destacava das outras: era a Zulu, a dançarina brava, que nunca sorria e estava sempre de cara amarrada. A bailarina Loraina também teve mais destaque.
Algumas Boletes já tinham sido Chacretes. Confira alguns nomes de Boletes que passaram pelo programa Clube do Bolinha: Tânia Bang Bang, Edna Poncell, Delma, Inês, Valquíria, Norman, Raquel, Sonia Lírio, Sônia Rangel, Isná, Gracinha Japão, Eduarda, Carla, Audrey, Sandra Lee, Silvana, Míriam Bianchi, Rose Cleópatra, Ana Maria, Marta Martin, Verônica, Leda Zepellin, Índia Amazonense, Laura, Júlia, Gina Tropical, Neide, Sandra Janete, Olívia, Fábia, Lúcia, Vanderléia, Beth Balanço, Beth Gazeta, Beth Coqueiro, Iris, Renata, Solange, Marli Bang Bang, Iara.
Radialista e apresentador de TV, Édson Cabariti (adotou o nome artístico de Édson Cury por ser mais sonoro no rádio), mais conhecido como Bolinha, nasceu em Araçatuba, interior de São Paulo, em 1936. Filho de imigrantes sírios, Bolinha foi feirante, engraxate e balconista antes de começar a carreira como locutor esportivo. Na extinta TV Excelsior, Bolinha começou como o responsável pelos flashes esportivos do programa Últimas Notícias.
Na televisão, a sua estreia na Bandeirantes em janeiro de 1967 aconteceu por acaso, já que ele foi convocado para substituir o apresentador Chacrinha, que havia se desentendido com os diretores da emissora. Bolinha aceitou o desafio e levou o programa adiante. Sua aceitação foi aprovada pelo público, tendo inclusive, aumentado o Ibope do programa. Sua estreia no Clube do Bolinha foi em 1974, tendo o programa ficado 20 anos na TV Bandeirantes. Depois que o programa terminou, ele não voltou mais para a TV.
Édson Cury, o Bolinha, morreu no dia 1º de julho de 1998, aos 61 anos, vítima de câncer no aparelho digestivo. A doença foi descoberta três anos antes de sua morte e seis meses antes de falecer a doença tinha se agravado. Bolinha foi sepultado na cidade de Santos.
O apresentador Sérgio Mallandro é um ícone dos anos 80. Quem não se lembra dele fazendo "Glu Glu" e "Yeah, Yeah" (ou seria ié ié?!) e divertindo a garotada no programa infantil Oradukapeta? Ele parecia mais um moleque do que um apresentador, que gostava de se vestir com macacão colorido e usar boné sempre virado para o lado. Aliás, outras características de Sérgio Mallandro eram a descontração e a irreverência, suas principais marcas registradas até hoje.
O programa Oradukapeta divertia as crianças nas manhãs do SBT, tendo estreado em 1987 e ficando no ar até 1990. O jeito irreverente, moleque e debochado de Sérgio Mallandro logo encantou as crianças que se divertiam muito com as brincadeiras e os desenhos animados que passavam no programa, como A Formiga Atômica, Super Mouse, Dennis – O Pimentinha e Hong Kong Fu, entre outros. Sérgio Mallando gostava mesmo de bagunça e suas maluquices encantavam as crianças. Afinal, ele era mais um da turma! Tanto é verdade que os meninos adoravam imitar o seu jeito de vestir, ou seja, Sérgio Mallandro ditou moda na época.
E quem não se lembra das gírias? Era um tal de "chuchu beleza", "vem meu glu-glu", "salci fufu". E a música de abertura do programa? Ela se chamava "O Escândalo" e até hoje tem quem continue cantando: "Conheci, um capeta em forma de guri…". A música se transformou num hit entre a garotada. Para controlar a criançada, Sérgio Mallandro contava com a ajuda de assistentes de palco. E ainda tinha a companhia dos Anjinhos – bonecos em forma de anjinho e capetinha.
Com o sucesso cada vez maior entre o público infantil, Sérgio Mallandro começou a ser assediado pela TV Globo, para onde se transferiu em 1990. Era o fim do Oradukapeta…
Um dos quadros principais do programa Oradukapeta e que se tornou um clássico (quem viveu os anos 80 nunca mais esqueceu do quadro), era "A Porta dos Desesperados", uma sátira ao quadro "Porta da Esperança", do programa Sílvio Santos. Todas as crianças queriam participar da brincadeira, até quem estava em casa! Afinal, era possível ganhar muitos brinquedos legais, como video-games, bicicletas, bonecas, bichinhos de pelúcia, entre outros. A porta certa era recheada de brinquedos!
A brincadeira era muito simples e divertida, e quase sempre quem estava em casa ria com o desfecho do quadro. Três portas eram colocadas no palco. Uma delas tinha os brinquedos, enquanto que as outras duas tinham um monstro ou um gorila que corria atrás da criança, ou outra surpresa que não agradava as crianças. O menino ou a menina tinham que escolher uma das três portas. Mas, antes de Sérgio Mallandro abrir a "Porta dos Desesperados" e revelar o que estava por trás dela, o clima era de suspense, e ele fazia com que a criança ficasse desesperada. Ou seja, ela tinha que demonstrar que queria muito ganhar os presentes e, por isso, Sérgio Mallandro fazia com que a criança gritasse, rolasse no chão e se descabelasse para ganhar o prêmio. É claro que tudo não passava de uma brincadeira divertida e muito aguardada por todos. Se ela abrisse a porta certa e encontrasse os presentes, era uma alegria imensa. Mas, se errasse a porta, aí, ela dava de cara com um monstro ou um gorila. Às vezes, as crianças corriam e choravam de medo, e ficavam decepcionadas. No entanto, brincadeira é brincadeira, né!
A diversão também estava garantida na brincadeira do Goleiro Mallandrovsky. Desta vez, Sérgio Mallandro se transformava no personagem Mallandrovsky, colocava uma peruca colorida e um uniforme espalhafatoso e ia para o gol. Ele tinha a tarefa de defender os pênaltis batidos por grupos de três crianças que representavam um grande time de futebol brasileiro. Quem marcava o maior número de gols em Mallandrovsky ganhava a brincadeira. Um juiz anão e briguento também dava um tom de humor à brincadeira. Além disso, a locução era totalmente debochada e divertida. E quando uma criança fazia gol, era hora de ouvir a música "É Gol! Nosso time é a alegria da galera!" do Trio Esperança. Esse dá saudade…
Quando você se lembra do programa infantil Clube da Criança da extinta TV Manchete, qual é o nome da apresentadora que surge primeiro? Xuxa, Angélica, Milla Christie, Patrícia Nogueira ou Debby Lagranha? Quem acompanhou o programa nos anos 80 deve ter uma preferida. Pois eu me recordo da fase em que o Clube da Criança era comandado pela Angélica. Novinha, tinha apenas 14 anos, mas, já tinha comandado um programa na TV Manchete, "Nave da Fantasia".
Aquela jovem loirinha de olhos verdes conquistou a garotada com seu jeito meigo e doce. No entanto, apesar de Angélica ter se tornado o grande nome do programa infantil, a então modelo Xuxa Meneghel, antes de se tornar a Rainha dos Baixinhos, foi a primeira apresentadora do infantil que estreou em 1983. Aos poucos ela foi se tornando amada pelas crianças do Brasil. E, por causa do sucesso, em 1986, Xuxa já era disputada por outras emissoras. Entre elas a TV Globo, para onde Xuxa se transferiu em 1986.
Mas, vocês se lembram como era o programa apresentado pela Xuxa? O cenário, como não poderia deixar de ser, era colorido. Atrações musicais e brincadeiras de palco não podiam faltar, assim como os desenhos animados, como Pirata do Espaço, Os Três Mosqueteiros e A Corrida Maluca. Para que Xuxa não apresentasse o programa sozinha, foi criado o papagaio Paquito. Ela também contava com duas assistentes de palco: Andréa Veiga (chamada de "Paquita", por ser a namorada do Paquito) e Heloísa Morgado (Xiquita). Aposto que muita gente não se lembrava de que o apelito Paquita surgiu no Clube da Criança, mas ganhou força mesmo no Xou da Xuxa. Com o sucesso nas tardes da TV Manchete, Xuxa lançou seu primeiro disco "Clube da Criança", iniciando assim, a sua carreira também como cantora.
Depois que Xuxa se mudou para a TV Globo, o Clube da Criança virou somente um programa de desenhos animados. Mas, em 1988 a louríssima Angélica começava a sua vitoriosa carreira como apresentadora de televisão. É claro que ela também ganhou assistentes, as Angeliquetes. Afinal, não era nada fácil controlar o entusiasmo da criançada que queria participar das brincadeiras e ganhar brinquedos.
Não sei se vocês se lembram, mas a descoberta de Xuxa e Angélica foi feita pelo diretor Maurício Sherman. Foi ele quem acreditou que Xuxa poderia se tornar uma boa apresentadora infantil (talvez ele não imaginasse, porém que o sucesso seria tanto). Aliás, parecia que toda a apresentadora tinha que ser loura, né? De todas as que passaram pelo comando do Clube da Criança, Milla Christie era a única morena.
Depois de Xuxa e Angélica se mudarem para outras emissoras, o programa da TV Manchete continuou lançando talentos. Em 1993, quem estreava na apresentação era a atriz Milla Christie. E como cada apresentadora tinha que deixar a sua marca, o Clube da Criança foi modificado. Desta vez, o cenário era ambientado num circo e Milla Christie surgia vestida de mágica. A atriz e apresentadora tinha sintonia com o público infantil, e parecia que ficaria muito tempo no comando do programa infantil. No entanto, em 1994, ela se transfere para outra emissora.
No mesmo ano, o Clube da Criança ganha uma nova apresentadora: Patrícia Nogueira, mais conhecida como Pat. Em 1994, ela se consagrou Miss Brasil World University e quando foi tirar fotos para a Revista Manchete, foi convidada para fazer um teste de apresentadora de TV. Os produtores do programa acreditaram em seu potencial, e assim, nascia mais uma apresentadora do Clube da Criança, a Pat, também conhecida como "Pat Beijo". Confesso que não assistia ao programa nessa época. Mas, a loura Pat teve o seu sucesso entre a garotada. Tanto que lançaram uma boneca tipo "Barbie" com as suas características: a "Pat, a Boneca de Verdade", que vinha com vestido de luxo e atá coroa de Miss Brasil.
A crise financeira na TV Manchete já dava sinais de que não passaria tão rapidamente e começou a afetar a programação da emissora. Por isso, o programa de Pat só durou até 1995. Mas, após dois anos fora do ar, o Clube da Criança voltou, e com nova apresentadora: desta vez a menina Debby Lagranha de apenas cinco anos. Para conter os gastos, o programa infantil deixou de ter auditório. Mas, nem mesmo a economia fez com que o Debby ficasse muito tempo no comando do programa. Em 1998, após um ano com a presença de Debby Lagranha, o Clube da Criança deixaria de ser transmitido definitivamente.
Um programa sem roteiro, tosco, onde reinava o improviso, o humor e a irreverência tinha tudo para dar errado. Mas, com o Perdidos na Noite, apresentado por Fausto Silva nos anos 80, foi diferente. O programa não só deu certo como é lembrado até hoje com muitas saudades por muitos fãs que adoravam o clima de improvisação e anarquia que acabou se tornando marca registrada do programa.
Como o programa não tinha muito orçamento, era preciso improvisar e ser criativo para driblar as situações inesperadas que aconteciam a qualquer momento. Não era raro ocorrerem acidentes ao vivo, como tropeções em cabos ou falhas técnicas na captação das imagens. Até mesmo funcionários do programa podiam passar na frente das câmeras no momento da transmissão. Nessas horas, o que seria uma tragédia em qualquer outro programa de televisão era desculpa para que Fausto Silva não perdoasse a falha e desse bronca em todos que trabalhavam no programa, desde a produção até os câmeras e direção. Ele não perdoava o erro de ninguém, aliás nem mesmo os erros dele. Fausto Silva não se importava em ser politicamente incorreto e até falava palavrão no ar. Talvez por ter sido repórter esportivo, ele tinha rapidez de raciocínio e sabia improvisar diante de qualquer situação que surgisse durante a realização do programa. Como não tinha script pré-estabelecido, tudo podia acontecer.
O apresentador realmente não se levava a sério e era capaz de rir de si próprio, além de também debochar do seu próprio programa. Era comum ele dizer: "espelho, espelho meu, existe algum programa pior do que o meu?". Aliás, ninguém escapava do humor e das brincadeiras de Fausto Silva, nem seus convidados (muitos nomes da MPB se apresentaram no programa), nem os políticos (ele não pensava duas vezes em criticar abertamente personalidades da política como o então presidente José Sarney, por exemplo). Nem a plateia escapava das brincadeiras dele. Aliás, ela até colaborava com a dinâmica do programa, já que muitas pessoas escreviam cartazes irreverentes que Fausto Silva fazia questão de ler e mostrar no ar. Perdidos na Noite era um escracho total e absoluto, porém dava certo porque tinha no comando um apresentador que tinha o domínio do palco, rapidez de raciocínio, sabia se expressar bem, não se levava a sério, mas era um super profissional, que sabia conduzir o programa mesmo com toda a anarquia que dominava o programa de auditório.
Uma das grandes atrações de Perdidos na Noite era a apresentação da dupla Nélson “Tatá” Alexandre e Carlos Alberto “Escova”. A dupla Tatá e Escova era super debochada e dava o toque de humor durante o programa. Eles faziam várias imitações no palco e não se preocupavam em ser politicamente corretos. Escova, por exemplo, tinha uma lista enorme de políticos e personalidades a serem imitadas. Vale destacar os ex-presidentes Jânio Quadros, Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva, o locutor esportivo Galvão Bueno, o ex-pugilista Maguila, o apresentador de TV Jacinto Figueira Júnior (mais conhecido como O Homem do Sapato Branco). Também eram hilárias as imitações do apresentador Clodovil, do ex-governador Leonel Brizola, e dos jornalistas Paulo Henrique Amorim (Paulo Henrique Tamborim) e Sandra Passarinho e Leila Cordeiro.
O jeito irreverente, o humor ácido de Fausto e o clima de bagunça e desordem que o programa apresentava dividia a crítica especializada. Uns achavam o programa demasiadamente exagerado, enquanto que outros acreditavam que o programa trazia um frescor para a televisão, justamente por não seguir os padrões de programas que o telespectador estava acostumado a assistir. Mas, enquanto a crítica se dividia com relação ao Perdidos na Noite, os telespectadores aprovavam a forma como o programa era apresentado, tanto que Perdidos na Noite se transformou numa diversão trash, porém cult. Apesar do horário em que era transmitido, o programa contava com uma boa audiência, principalmente entre os homens. Realmente deixou imensas saudades, pois a partir daí, os programas que vieram em seguida (inclusive o domingão do Faustão, seu próximo programa já em outra emissora) perderiam essa mágica do improviso e alegria.
Antes de se tornar um apresentador de sucesso na televisão, Fausto Silva começou a sua carreira como repórter de rádio, no interior de São Paulo. Ele passou pela rádio Centenário de Araras, onde começou, rádio Cultura, em Campinas, e pelas rádios Record, Jovem Pan (onde começou como repórter esportivo), Globo e Excelsior, na cidade de São Paulo. Faustão teve destaque como repórter esportivo.
Na rádio Excelsior, trabalhou com os jornalistas Osmar Santos e Juarez Soares no programa de humor "Balancê". Os cômicos Nélson “Tatá” Alexandre e Carlos Alberto “Escova” também faziam parte da equipe. Com a saída de Osmar Santos e Juarez Soares para a televisão, em 1983, Fausto, que trabalhava como repórter e eventualmente assumia o microfone, passou a ser o apresentador do programa junto com a dupla de humoristas. O lado cômico e escrachado do programa ficou ainda mais acentuado.
Inicialmente, o programa "Balancê" era feito em estúdio, mas com a chegada de Fausto Silva ele passou a ser realizado em um teatro com direito a uma plateia de cem pessoas. Em São Paulo, "Balancê" fez um enorme sucesso, tanto que apesar de ser um programa diferente, pois era debochado, irreverente e tinha doses de escracho explícito, artistas e políticos não deixavam de participar do programa de rádio. Foi na época de "Balancê" que começou a parceria entre Fausto Silva e Lucimara Parisi, ex-telefonista da Rádio Globo e secretária de Osmar Santos, que passou a assumir a produção do programa. Foram três anos de sucesso do programa "Balancê".
A carreira de Fausto Silva começou a mudar quando o jornalista Goulart de Andrade o convidou para levar o programa "Balancê" para a televisão. Goulart de Andrade ficou impressionado com a performance de Fausto no comando do "Balancê". Assim, em 1984, Fausto Silva e sua equipe estreavam o Perdidos na Noite, dentro do espaço noturno ocupado pelo Programa Goulart de Andrade, na TV Gazeta. O programa era gravado no Teatro Brigadeiro, em São Paulo, e exibido nas noites de sábado.
Ainda em 1984, o quadro deu origem ao programa de auditório na TV Record. Inicialmente, o Perdidos na Noite era transmitido nas madrugadas de sábado para domingo, apenas para São Paulo. Tempos depois também passou a ser exibido para o Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 1986, Fausto Silva estreava o programa na TV Bandeirantes, nas noites de sábado, e em rede nacional. Em 1987, passou a apresentar outro programa, em paralelo, na Bandeirantes: o Safenados e Safadinhos.
Foi na TV Bandeirantes que começou a chamar a atenção da TV Globo. Assim, depois de quase três anos no comando do Perdidos na Noite, Fausto Silva se transferia para a Rede Globo para apresentar o Domingão do Faustão. Lucimara Parisi, que trabalhou com ele durante muitos anos, deixou a parceria com o apresentador em 2009. Atualmente, em 2013, Faustão é apenas uma vaga lembrança do apresentador que comandava um dos programas mais anárquicos da TV brasileira, o Perdidos na noite.
Normalmente, os programas de auditório são muito parecidos, porém o grande diferencial são os apresentadores. Pode-se afirmar que o grande boom dos programas de auditório foi nos anos 80, quando estavam no ar Cassino do Chacrinha, Clube do Bolinha, Perdidos na Noite, Domingão do Faustão, Programa Flávio Cavalcanti, Programa Hebe, Programa Sílvio Santos, Programa J. Silvestre, Viva a Noite e Programa Raul Gil.
No caso de Raul Gil, seu programa já passou por diversas emissoras: TV Excelsior, TV Tupi, Rede Bandeirantes, na extinta Rede Manchete e Rede Record. Atualmente, ele está no SBT (esta é a sua segunda passagem pela emissora paulista, a primeira foi no início dos anos 80) desde 2010, sendo que o programa é apresentado nas tarde de sábado.
Quando Raul Gil estreou no SBT pela primeira vez, ele recebia um dos mais altos salários da TV na época (cerca de Cr$ 3 milhões, contando com salário e comissões). Além disso, ele era o substituto imediato de Silvio Santos em suas eventuais ausências.
Além das atrações do Programa Raul Gil, o apresentador aproveita para mostrar seu talento como cantor e soltar a voz. Afinal, ele adora cantar boleros, tendo inclusive, gravado discos, LPs e CDs. Aliás, Raul Gil começou sua carreira como calouro, e talvez seja por isso que ele dê tanta atenção aos calouros que participam do seu programa.
Um dos grandes destaques do seu programa é o corpo de jurados. Dois deles são fixos: José Messias (compositor, jornalista, músico, radialista, produtor e crítico musical) e Marly Marley (atriz, diretora de teatro e crítica musical). Os dois acompanham Raul Gil há muito tempo. Muitos outros jurados famosos já participaram do Programa Raul Gil, como Jorge Mascarenhas, Virgínia Lane, Daysi Lúcidi, Ary Toledo, Augusto Liberato (Gugu) e Nanci Gil, filha do animador.
Sempre impecavelmente vestido com um terno, Raul Gil já faz parte da história da televisão brasileira e tem seu nome inscrito entre os melhores apresentadores brasileiros.
Em time que está ganhando, não se mexe. Essa afirmação se encaixa muito bem quando o assunto é o Programa Raul Gil. Isto porque muitos quadros que ainda são mostrados em seu programa no SBT são sucesso há muito tempo. Vamos a alguns exemplos.
Você deve se lembrar do quadro “Pra quem você tiraria o chapéu?”, não é mesmo? Esse é um dos quadros mais tradicionais da TV. Nele, Raul Gil recebe convidados especiais que revelam se tiram ou não o chapéu para outras personalidades. Os convidados tem que dizer porque tiram ou não tiram o chapéu. Normalmente, as declarações dos convidados geram certa polêmica, principalmente se eles dizem algo de negativo sobre a personalidade que está oculta atrás do chapéu.
Como não falar no “Jogo do Banquinho”? Esse é um dos mais divertidos até hoje. Quem é que nunca cantou: "O Raul perguntou / você não acertou / pegue o seu banquinho / e saia de mansinho". Artistas são convidados para participar da gincana de adivinhação de palavras. Primeiro, eles fazem um número musical, depois sentam num banquinho e começa a brincadeira. Aí, o Raul Gil pergunta: eu quero uma comida que comece com a letra A. Os convidados então, em forma de revezamento (são dois grupos) começam a falar os nomes de comida com a letra A. As respostas podem ser aceitas ou não. Quem erra a resposta ou não se lembra de nenhuma palavra, tem uma chance, pois o Raul Gil dá 15 segundos para a pessoa pensar mais um pouco. Se o tempo acabar e o participante não der nenhuma resposta, aí ele pega o seu banquinho e sai de mansinho, como diz a letra da música. Quem fica até o final da brincadeira leva para casa um prêmio de R$ 2.000,00 (números atuais).
As crianças sempre fazem um enorme sucesso quando aparecem na televisão. No Programa Raul Gil não é diferente. Desde sempre me lembro de Raul Gil recebendo crianças para cantarem ou dançarem. Nessa hora, ele vira uma criança. E para conversar de igual para igual com as crianças, deita no chão e conversa com elas de joelhos. Grandes talentos mirins já foram revelados no Programa Raul Gil.
Outro clássico é o show de calouros de adultos. Muitos cantores já se apresentaram no palco do programa em busca de uma chance. Muitos talentos foram revelados e chegaram a emocionar a plateia e os jurados devido a sua qualidade musical.
Cartas e Cartazes também era um quadro que fez um enorme sucesso nos anos 80. Os cantores convidados ficavam escondidos atrás de um cartaz que reproduzia uma carta de baralho. O suspense só terminava quando Raul Gil anunciava quem era o grupo ou o cantor que estava escondido atrás da carta do baralho. Logo depois, ele apresentava um número musical.
Hebe Camargo podia causar controvérsias. Havia quem a amasse de paixão, mas haviam aqueles que não gostavam muito do jeito expansivo, extravagante e às vezes populesco. Mas o fato é que Hebe Camargo foi uma das principais comunicadoras do Brasil, conquistando uma legião de fãs durante os anos em que comandou o Programa Hebe. E alguns desafetos.
Primeiro, o programa foi exibido entre os anos 70 e 80 pela TV Bandeirantes (1979 a 1985). Depois, na segunda metade dos anos 80 a emissora do SBT foi a sua casa, onde permaneceu de 1986 a 2010. Foram quase 25 anos de relacionamento com a emissora paulista. Uma união que deu certo ao longo dos anos em que ela foi funcionária de Sílvio Santos.
Como o SBT passava por problemas financeiros, e Hebe Camargo não aceitou ter redução de salário, em 2011, o Programa Hebe se transferiu para a Rede TV!, onde ficou até 2012. Ela iria retornar com o programa para o SBT, mas dois dias após a assinatura do contrato com a emissora paulista, Hebe Camargo faleceu. Ela sofreu uma parada cardíaca no dia 29 de setembro de 2012.
O programa de auditório de Hebe Camargo era tradicionalmente noturno, em horário nobre, afinal, Hebe era uma estrela. A plateia sempre demonstrou muito carinho pela apresentadora, que fazia questão de retribuir. Para o seu público, Hebe se mostrava linda e elegante, sempre muito bem vestida, cabelo e maquiagem perfeitos e joias, muitas joias, que ela exibia sem constrangimento algum, já que foram compradas com o dinheiro fruto do seu trabalho, como ela mesma gostava de frisar.
O programa de Hebe Camargo, assim como a apresentadora, deixou saudades. Ao longo dos anos, ela conquistou novos admiradores, além de manter um público fiel, que sempre lhe dava audiência.
Para homenagear a comunicadora que tantas saudades deixou em seus fãs e amigos, existe um projeto para levar sua história de vida e carreira às telas do cinema. As conversas sobre o filme já foram iniciadas.
Hebe Camargo não tinha papas na língua. Ela dizia o que pensava, mesmo que depois as pessoas considerassem suas opiniões polêmicas. Ela não perdoava nem os políticos, e muitas vezes fez críticas ao Congresso Nacional. Era franca e direta, afinal ela era a "dona" do Programa Hebe e, por isso, se sentia confortával para emitir a sua opinião sem restrições.
Ir ao programa da Hebe era sinal de prestígio, por isso todo mundo queria sentar no sofá da apresentadora. Desde políticos a esportistas, cantores, atores, apresentadores, humoristas, enfim, quem estava na mídia ou tinha o carinho de Hebe Camargo era convidado a participar do programa. Se estava fazendo sucesso, tinha que ir ao programa da Hebe.
Seus bordões também ficaram famosos por todo o Brasil. Os mais comuns eram “que gracinha”, "fofura" e “lindo de viver”, um jeito carinhoso de se referir aos seus convidados.
Foi no palco do programa que Hebe também começou uma tradição: dar um selinho em seus convidados, sejam eles homens ou mulheres. Nos últimos anos, quem ia ao programa ganhava o selinho, tornando esse gesto mais uma marca registrada da apresentadora. Outra marca registrada há muito mais tempo era a sua loirice (Hebe Camargo era naturalmente morena).
No Programa Hebe não podiam faltar os números musicais. Pode-se afirmar que passaram pelo programa os principais cantores do Brasil, independentemente do ritmo musical. Até mesmo atrações internacionais como a fadista Amália Rodrigues, o cantor Julio Iglesias, a cantora Laura Pausini, e muitos outros, se apresentaram no programa.