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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Chiclete Ping-Pong


Sabia que o Chiclete Ping Pong, aquele mesmo que fez um enorme sucesso com a molecada nos anos 80, foi o primeiro chiclete brasileiro a ser lançado? Pois isso ocorreu no longínquo ano de 1945. A responsável foi a Kibon. Por isso, até hoje esse chiclete está na memória de muito adulto que conheceu a goma de mascar durante a infância.
Além de gostar do sabor do chiclete (a variedade de sabores nunca foi o seu forte, e os principais eram tutti-fruti e hortelã), a garotada não perdia a chance para colecionar as figurinhas que vinham junto com o chiclete. Cada um vinha com uma figurinha diferente, por isso as crianças eram capazes de gastar todo o dinheiro da mesada para comprar o chiclete (afinal, ele era baratinho) e assim, completar o álbum de figurinhas. Alguns chicletes, por exemplo, vinham com figurinhas de super-heróis e de animais extintos.


Os chicletes Ping Pong que traziam figurinhas dos jogadores da Copa do Mundo de 1982 e 1986 fizeram um enorme sucesso, principalmente entre os garotos, claro. Outras que também deixaram os meninos em polvorosa foram as figurinhas que retratavam a Fórmula 1. Eram figurinhas dos pilotos, das escuderias, dos circuitos, dos carros, entre outras. Na hora do intervalo das aulas, era normal fazer uma rodinha entre os amigos para conferir quem poderia trocar as figuras repetidas. Afinal, o objetivo era completar o álbum de qualquer maneira e vamos combinar que não era fácil completar um álbum naquele tempo. Além do número grande de figurinahs repetidas, tinham sempre aquelas que eram consideradas "raras". Por isso, não se perdia uma oportunidade sequer para trocar figurinhas e garantir que o álbum seria completo. Tinha criança que chegava a pagar por algumas figurinhas e era muito normal que algumas valessem mais no "mercado de troca", rendendo às vezes duas ou mais figurinhas pela troca.

A criançada ficou ainda mais eufórica quando também foi lançado na década de 1980 o Ping Pong 2 em 1. Isso mesmo, você abria o pacotinho e vinham dois pedaços de chiclete. Então, primeiro comia-se um pedaço e depois, o outro. Assim, durava mais tempo a sensação do Chiclete Ping-Pong na boca.
O que mais marcou o sucesso do Ping-Pong foram as figurinhas, por isso, nos anos 90, os Chicletes Ping-Pong continuaram a oferecer figurinhas. Desta vez, a dava para colecionar figurinhas com informações sobre os recordes mais inusitados do mundo, optar pela coleção "O Corcunda de Notre Dame" ou então colecionar as figurinhas inspiradas no desenho Toy Story. Havia ainda uma novidade, quem juntasse cinco embalagens do chiclete e mandasse para uma Caixa Postal, ganhava um álbum. Outra promoção garantia que se você enviasse três embalagens de Ping-Pong ganhava um pôster do seu personagem favorito. Com certeza foi uma boa estratégia de marketing para conquistar a nova geração.

"Ping-Pong Ping-Pong é que é, um estouro, ié-ié-ié-ié", "A vida é uma bola" e O chicle bom de bola" eram alguns dos slogans que grudavam que nem chiclete, com perdão do trocadilho infame 

Drops Dulcora



O drops Dulcora foi uma das guloseimas mais famosas de sua época e adoçou o paladar de muita criança, jovem e adolescente, sendo sucesso entre décadas de 1960 e 1970, mas com um apelo maior nos anos 80. Era um produto nacional, a fábrica brasileira de balas, drops e confeitos ficava localizada no estado de São Paulo, mais precisamente em São Bernardo do Campo. Quem passava em frente a fábrica logo reparava no gramado onde estavam dispostas placas retangulares com as letras de DULCORA em alturas diferentes tal qual as da embalagem.
Se a maioria das balas era oval, o drops Dulcora tinha o formato diferente, era quadrado. Cada drops era embrulhado individualmente, ou seja, a bala não ficava grudada uma na outra. Uma das coisas mais legais é que existia mais de um sabor (abacaxi, limão, morango, anis, cereja, hortelã, tangerina). Assim, você podia comprar o drops com o sabor que mais gostava. No entanto, a embalagem mista, que reunia diversos sabores numa mesma embalagem era a que fazia mais sucesso.
Para tornar o drops mais popular, o normal era investir em propaganda na televisão. Outra estratégia era criar um jingle bem fácil para que as crianças gravassem a música rapidamente e, assim, pudessem se lembrar com mais rapidez da bala ou do chocolate. Com o drops Dulcora não foi diferente. Você se lembra da música?
Drops dulcora, dulcora, dulcora
A delicia que o paladar… adora
Quadradinhos embrulhadinhos um a um
Você quer um, você quer um
Prove agora, o drops dulcora!
No final do comercial, o locutor ainda falava: "Dulcora, uma nova delícia". Já nos anúncios de gibis o slogam era: "Drops Dulcora, a delícia que o paladar adora". Sensacional 😉
Sabe um lugar onde você encontrava facilmente o drops Dulcora? Nas bomboniéres dos cinemas ou nas baleiras que ficavam em frente a eles. Como era uma das guloseimas mais apreciadas por jovens e adolescentes, era possível o rapaz fazer uma média com a namorada e comprar o drops só para oferecer a bala durante a sessão. Até na cantina das escolas era possível encontrar drops Dulcora. Durante o intervalo das aulas no colégio também era comum as crianças chuparem a bala e até fazer uma troca com os amigos do tipo: eu te dou a bala que você mais gosta e você me dá o drops que eu gosto mais. É claro que essa troca era possível se os dois amigos tivessem o drops Dulcora misto.

Chocolate Lollo


Um dos chocolates mais cobiçados pela criançada era o Lollo, que vinha envolto numa embalagem azul e tinha como símbolo uma vaquinha amarela super simpática segurando quatro flores coloridas com a boca. Não havia criança que conseguisse resistir ao chocolate Lollo, que de tão macio, derretia na boca. O chocolate vinha com um delicioso recheio de leite maltado. Não é à toa que ele foi apelidado de “o chocolate fofinho da Nestlé”. Dava vontade de comer muito mais do que uma só unidade de tão gostoso que ele era. Irresistível. Era até difícil controlar o desejo de comer mais, mais e mais Lollo. Naquel tempo, o chocolate podia ser comprado individualmente ou em embalagem com cinco unidades.
Lançado em 1982, o número de fãs do chocolate Lollo da Nestlé só crescia com o passar dos anos e, por isso, foi se tornando um sucesso dia após dia. Por causa da sua popularidade foi com grande espanto e surpresa que os fãs de Lollo receberam a notícia de que o chocolate deixaria de ser fabricado. A notícia foi dada no ano de 1992. Decepção total.
A volta do Lollo!
A decisão de retirar o chocolate Lollo das prateleiras brasileiras foi da matriz na Suíça. Mas, o chocolate não desapareceu totalmente. Em seu lugar, passou a ser comercializado o Milkybar, ou seja, o Lollo foi rebatizado. A embalagem também era azul, mas a vaquinha foi substituída por um mascote, que nada mais era do que um pedaço de chocolate. O Milkybar passou a integrar a caixa de bombons "Especialidades" da Nestlé.,
A desculpa para retirar a marca Lollo do mercado é que no início dos anos 90, o mercado brasileiro de chocolate não era tão desenvolvido como hoje. Além disso, o Brasil não era importante para as empresas multinacionais, por isso naquela época a matriz preferiu eliminar a marca Lollo e fazer o alinhamento internacional da marca. A gritaria foi geral e o número de queixas foi muito grande, afinal tinham retirado das prateleiras um dos chocolates mais queridos e amados pelos brasileiros. Ou seja, os fãs de Lollo se sentiram órfãos e passaram a rejeitar o Milkybar. Mesmo porque eles achavam que o gosto não era idêntico ao chocolate Lollo, e, por isso, não havia como substituí-lo. Só que a Nestlé acreditava que o público iria se renovar e a marca se consolidaria, até porque o consumidor de Lollo era formado basicamente por crianças e jovens. Só que isso não aconteceu. Quem era fã de Lollo não se interessou pelo Milkybar.
Bom, por causa desse clima saudosista que permaneceu por longos anos, em 2011, a Nestlé decidiu que o Milkybar deixaria de ser produzido. Assim, em setembro de 2012, a empresa deu a notícia que muitos aguardavam há anos: a volta do chocolate Lollo. E o que é melhor, com o mesmo logo, a receita original, slogan (“Lollo, o chocolate fofinho da Nestlé”) e a clássica embalagem oitentista. Segundo a empresa, a onda "revival" dos anos 80 e o saudosismo demonstrado pelos consumidores nas redes sociais motivaram a volta do chocolate, que passou a ser vendido novamente em todo o país.
Lollo Voltou
Para chamar a atenção dos saudosistas e quem sabe conquistar novos consumidores, a Nestlé lançou a campanha de Lollo com o slogan “Ele voltou!”. A empresa anunciou ainda que Lollo passaria a integrar definitivamente a caixa de Especialidades Nestlé na sua versão mini. Vou pedir várias caixas de natal e fazer meu estoque!

domingo, 9 de novembro de 2014

Ki Suco

destaque
Hoje se você for no mercado comprar um refresco em pó não vai nem saber qual escolher. São tantas opções e marcas que você certamente vai perder um tempinho. Light, diet, duas frutas juntas, mais barato, mais caro, etc.
Porém, nos anos 80, havia apenas um, o campeão: o infame Ki Suco! Era só comprar o envelope de suco, do seu sabor preferido, adicionar 1 litro de água, açúcar (bastante, por favor) e estava pronto o refresco mais barato de todos os tempos. Em uma época que refrigerante era coisa de rico e só aparecia em casa nos finais de semana, era o Ki-Suco que salvava a pátria durante a semana.
O Ki-Suco se prestava a outro uso muito curioso – dava pra colocar um pouco de água no pó para ele virar uma massinha para as crianças brincarem. Detalhe, as professoras da época é que davam a dica! Eu lembro de ter usado Ki-Suco em sala de aula com essa finalidade! Isso é que era tempo bom…
Mas engana-se quem pensa que a história desse refresco começou na década de 80. Acompanhe.
Ki Suco

Na verdade, o Ki Suco nada mais é que o nome brasileiro do Kool Aid, refresco em pó americano inventado em 1927 por um distinto senhor chamado Edwin Perkins (com ajuda de sua esposa, Kitty), na cidade de Hastings, Nebraska.
Edwin vendia sucos concentrados na sua empresa, a Perkins Products Company, mas o transporte das caixas era uma dificuldade. Além do alto custo, várias garrafas do Fruit Smack chegavam quebradas. Edwin então teve uma ideia genial, revolucionária. Ele desidratou o suco concentrado, retirando dele toda a água e transformando-o em pó. A economia com transporte foi brutal, mas Edwin mal sabia que estava começando um império. Nascia o Kool-Aid.
Inicialmente, o suco em pó foi chamado de Kool-Ade, mas Edwin teve que trocar o nome para Kool-Aid por questões legais com o governo americano. O suco em pó, inicialmente lançado nos sabores Orange (laranja), Cherry (cereja), Lemon (limão), Grape (uva), Strawberry (morango) e Raspberry (framboesa), era vendido em saquinhos por 10 cents.
Kool Aid
Edwin largou todos os outros produtos da empresa para se concentrar no sucesso instantâneo do Kool-Aid. Ele abriu uma nova sede em Chicago e em pouco tempo distribuía para toda América. Em maio de 1953, Edwin vendeu a empresa para a General Foods Company. Mais tarde, a General Foods passou por uma fusão com a Kraft, formando a Kraft Foods em 1989. Até hoje a empresa é detentora da marca e seus produtos.

Agora vamos ao que interessa para os saudosistas dos anos 80. O Kool-Aid foi lançado no Brasil em 1961, com o nome de Ki-Suco. Em 1964, os envelopes do suco receberam uma reformulação completa – na época, chamaram de “modernização” ;)
Os envelopes passaram a ter o desenho do mascote oficial do Kool-Aid americano, o Kool-Aid Man. Uma jarra de suco enorme com olhos, nariz e boca, que andava por aí promovendo o suco. Para ajudar mais ainda na promoção do Ki-Suco, jarras de plástico eram dadas de graça na compra dos envelopes. Além disso, no mesmo ano foi lançada uma versão pré-adoçada.
O Ki-Suco sempre vendeu muito bem, mas realmente foi na década de 80 que ele explodiu, com várias campanhas publicitárias bem-sucedidas e a introdução da versão sem açúcar, em 1983. Por isso todos pensam que para fazer Ki-Suco era preciso de 1 litro d’água e 1 tonelada de açúcar. Na verdade, o Ki-Suco era pré-adoçado desde 1964, mas a versão sem açúcar é que ficou na memória de todos.
Na década de 90, com a Kraft Foods assumindo a marca, o Ki-Suco deu lugar ao Kool-Aid nas prateleiras brasileiras. Ao longo dos anos, muitas novidades forma introduzidas pela Kraft Foods, como uma versão do Kool-Aid sem cafeína (1999) e uma versão reformulada sem açúcar (com gosto muito parecido com o da versão original), onde a embalagem dizia que um copo tinha apenas 5 calorias. Outros produtos foram envelopes com quantidade para meio litro e com sabores misturados de frutas.
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