Carrusel (no Brasil, Carrossel) é uma telenovela mexicana de 375 capítulos produzida pela Rede Televisa em 1989, transmitida no Brasil pelo SBT entre 20 de maio de 1991 e 21 de abril de 1992 e reprisada três vezes. Remake de uma novela argentina dos anos 60 e 70, Jacinta Pichimahuida, la maestra que no se olvida, a trama conta a história de uma turma de crianças da 2ª série do Ensino Fundamental da Escola Mundial. Juntos, eles descobrem os prós e os contras da vida e procuram resolver seus problemas com alegria e descontração, sempre com o auxílio e carinho da professora Helena, que servia como uma mãe para eles.
A novela fez enorme sucesso no Brasil, sendo lembrada como uma das melhores novelas exibidas pelo SBT, tendo inclusive ultrapassado a audiência do Jornal Nacional da Rede Globo por várias vezes. Você se lembra? Então compartilhe com seus amigos.
Você se lembra da novela "Top Model" no finalzinho da década de 80? Foi um dos maiores sucessos da emissora Rede Globo.
Top Model é uma novela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo. Escrita por Walther Negrão e Antônio Calmon, com colaboração de Vinícius Vianna e Rose Calza, e com direção-geral de Roberto Talma, direção de Mário Márcio Bandarra e Fred Confalonieri, foi a 42ª "novela das sete" exibida pela emissora.
Top Model teve seu primeiro capítulo exibido em 18 de setembro de 1989, substituindo Que Rei Sou Eu?, e encerrando-se em 5 de maio de 1990, com 197 capítulos, sendo substituida por Mico Preto.
Quem não se lembra dos bordões: "Tô certo ou tô errado?" e "Minaaaaaaaaaaaaaaaaaaa"! O primeiro era falado por Sinhozinho Malta, que, quando ficava nervoso e queria intimidar as pessoas, sacudia as pulseiras, o relógio e perguntava: "Tô certo ou tô errado?" Ninguém ousava contrariar o coronel! Já "Minaaaaaaaa" era a forma como a Viúva Porcina chamava a sua empregada. Este foram apenas dois dos muitos destaque da novela que, depois de ter sido censurada em 1975, já com 36 capítulos gravados, foi finalmente exibida em 1985.
Na trama de Dias Gomes, a população da cidade de Asa Branca vive em função de um mito: Roque Santeiro (aquele que foi sem nunca ter sido), um milagreiro que teria morrido como mártir, defendendo a cidade do bandido Navalhada. A telenovela contou com Lima Duarte como Sinhozinho Malta, Regina Duarte como a Viúva Porcina e José Wilker como Roque Santeiro, que reaparece na cidade anos depois, preocupando o coronel Sinhozinho Malta e outras autoridades de Asa Branca, que ficam com medo de que a verdade sobre Roque Santeiro fosse revelada.
A novela foi um estrondoso sucesso. Todos queriam ficar em casa para acompanhar a história de Sinhozinho Malta e Viúva Porcina. Em Recife, até os candidatos às eleições para deputado cancelavam comícios no horário em que a novela era exibida. A comprovação do sucesso chegou através dos números logo na primeira semana de exibição, quando a novela chegou a 67% de audiência nacional. A audiência crescia exponencialmente. No primeiro mês de exibição passou para 72%, no segundo foi para 75% e no terceiro mês a audiência foi de 80%, somando 60 milhões de espectadores em todo o país. Os dados foram divulgados pelo Ibope na época.
Conforme a trama se desenvolvia, a audiência ia aumentando. A média geral da novela era de 74 pontos. No entanto, o último capítulo ainda reservava mais surpresas com relação aos números. Segundo o Ibope, o final de Roque Santeiro marcou 96 pontos de média e consolidou 95 pontos, sendo que a novela chegou ao pico de 100 pontos de audiência! Um recorde, já que a Globo se tornou a primeira e única emissora do mundo a chegar nos três dígitos. Até hoje nenhuma outra novela alcançou tanta audiência quanto Roque Santeiro, sendo, portanto, a novela de maior audiência na história da televisão brasileira.
Mas, o que teve o último capítulo de tão especial? O público aguardava com expectativa o desfecho final do triângulo amoroso formado por Sinhozinho Malta, Viúva Porcina e Roque Santeiro. Afinal, com quem ficaria a Viúva Porcina? Ela permaneceria ao lado de Sinhozinho Mlata ou iria embora de Asa Branca com Roque Santeiro? Dois finais foram gravados. E o escolhido foi: a Viúva Porcina decide permanecer em Asa Branca e ficar ao lado de Sinhozinho Malta.
Um dos principais papeis de Regina Duarte na televisão foi, sem dúvida nenhuma, a Víúva Porcina. Sucesso absoluto. Ao mesmo tempo dócil e frágil, mas forte e decidida, Viúva Porcina inspirou muitas brasileiras com o seu visual nada discreto. As roupas eram exóticas e espalhafatosas, com cores fortes e intensas. Mas nada chamou mais a atenção e foi copiado do que os extravagantes adornos de cabeça usados pela viúva. Os turbantes, faixas, laços e lenços viraram febre entre as mulheres que não se cansavam de copiar o visual da personagem.
Além das roupas e dos turbantes, os acessórios (pulseiras, brincos, argolas, correntes) também eram enormes, chamativos e exagerados. E Viúva Porcina gostava de usar tudo junto e misturado, sem se importar com os excessos. Aliás, o excesso combinava muito bem com o jeito alegre da personagem. Com a maquiagem não era diferente, ela também era colorida e carregada, nada melhor para a Viúva Porcina que um batom vermelho bem chamativo.
O sucesso da novela foi tanto que na época foi lançado um álbum de figurinhas de Roque Santeiro, com todos os personagens. A novela de Dias Gomes também foi reapresentada duas vezes na tela da Globo: de 1º de julho de 1991 a 3 de janeiro de 1992, na Sessão Aventura, em 135 capítulos. E de 11 de dezembro de 2000 a 29 de junho de 2001, no Vale a Pena Ver de Novo, em 145 capítulos. Em 2011, foi a vez de o Canal Viva reapresentar a novela. E é claro que foi novamente um sucesso, mesmo tendo sido exibida a partir da meia-noite, com reprise ao meio-dia.
A primeira novela brasileira a ser lançada em DVD foi Roque Santeiro, é claro. No ano de 2010 foi lançado um box com 16 DVDs contendo um compacto de Roque Santeiro de aproximadamente 50 horas de duração. A trilha sonora de Roque Santeiro foi uma das mais bem sucedidas da história das novelas da Globo. Foram muitos os sucessos. Quem não se lembra de "Dona", com o grupo Roupa Nova, embalando as cenas da Viúva Porcina? Da música de abertura "Santa Fé", de Moraes Moreira? Da canção "De volta pro aconchego", interpretada por Elba Ramalho e que embalava as cenas de Roque Santeiro? Da música-tema de Mocinha, "Chora Coração", com o Wando? De "Mistérios da meia-noite", com Zé Ramalho, que pontuava as cenas que envolviam o lobisomen? E dos sucessos "Sem pecado e sem juízo, com Baby Consuelo; "ABC do Santeiro" com a dupla Sá e Guarabyra; "Vitoriosa", com Ivan Lins; entre tantas outras.
Foram tantas as canções de destaque que a gravadora Som Livre abriu um precedente, e pela primeira vez uma novela não teve uma trilha sonora internacional. Assim, foram lançados dois volumes da trilha nacional. O volume 1, com Regina Duarte na capa, vendeu mais de meio milhão de cópias em apenas três meses. O volume 2 trouxe os protagonistas Lima Duarte, Regina Duarte e José Wilker na capa. A Som Livre produziu ainda uma terceira trilha sonora nacional da novela, em 2001. Agora, em CD, foram reunidos os sucessos remasterizados das duas trilhas originais da novela. Aliás, a trilha internacional de Roque Santeiro chegou a ser produzida, mas não foi lançada no mercado. Mesmo porque as músicas internacionais não combinavam com o clima rural da novela. A partir de Roque Santeiro as novelas rurais da Globo também não tiveram mais trilhas sonoras internacionais, somente nacionais. Ou seja, até nas trilhas sonoras a novela Roque Santeiro teve influência
O escritor baiano Jorge Amado retratou no livro Tenda dos Milagres, em 1969, a luta do povo negro para manter vivas as culturas negras e mestiça na Bahia. E foi justamente essa história que foi retratada na minissérie homônima, escrita por Aguinaldo Silva e Regina Braga, e que a TV Globo exibiu nos anos 80. Pedro Arcanjo (Nelson Xavier) é o personagem principal da narrativa. A partir de suas lembranças, quando ele está à beira da morte, é que o público fica conhecendo a sua história e também a do povo negro.
Tenda dos Milagres começa em 1930. Pedro Arcanjo se sente mal nas ruas do Pelourinho e é levado para a casa de Cesarina (Ângela Leal). Lá, ele começa a relembrar o seu passado. Por isso, a narrativa não começa em 1930, mas sim no ano de 1913, época em que os negros eram discriminados e perseguidos em Salvador. Ou seja, a cultura negra não tinha vez, não tinha voz, não era respeitada. Mas, com a ajuda da mãe de santo Magé Bassã (Chica Xavier) e seu pai, Xangô, Pedro Arcanjo descobre que tem uma missão: ser a luz de seu povo. E é por seu povo e pela preservação e difusão da cultura negra que Pedro Arcanjo enfrenta todo o tipo de preconceito.
Pedro Arcanjo é um mestiço pobre, que se relaciona com todo o tipo de gente, como pais de santo, prostitutas e mestres de capoeira. Ele tem algum estudo, e acaba entrando para a Faculdade de Medicina da Bahia. É claro que sua ascensão não é bem vista pela elite branca da Bahia. A começar pelo racista Nilo Argolo (Oswaldo Loureiro), um médico-legista que faz de tudo para provar a superioridade da raça branca através de pesquisas científicas. Influente e poderoso, ele conta com a ajuda do delegado Francisco Mata Negros (Francisco Milani) para reprimir as manifestações culturais dos negros.
Depois de relembrar o passado e mostrar o início da trajetória de Pedro Arcanjo, é hora de voltar para o anos de 1930. Nessa época, destaca-se o envolvimento de Pedro Arcanjo com duas mulheres: a bela Rosa de Oxalá (Dhu Moraes), mulher de seu fiel amigo e companheiro Lídio Corró (Milton Gonçalves) e a jornalista Ana Mercedes (Tânia Alves), que funda o jornal Tenda dos Milagres para lutar contra a discriminação racial. Pedro Arcanjo se apaixona por Ana Mercedes.
Pedro Arcanjo sofre na pele o preconceito dos brancos contra os negros. Mas, por ironia do destino ele descobre que é primo de Nilo Argolo. É claro que Nilo não aceita o parentesco com um negro e acaba convencendo os professores e diretores do curso de medicina a expulsarem Arcanjo da faculdade. Os alunos não aceitam essa discriminação e se revoltam. Vão para as ruas e é aí que ocorre uma tragédia. Na confusão, Lídio Corró morre, após levar um tiro de um policial. Já Pedro Arcanjo é preso, assim como Ana Mercedes.
Com as prisões, o delegado Sarmento (Ivan Candido) acredita que a revolta do povo está sob controle e que haverá um enfraquecimento do movimento negro. Isso é um engano. Cansado de tanta opressão, o povo continua revoltado e faz pressão em frente a delegacia para que Pedro Arcanjo seja libertado. O delegado está irredutível e não tem intenção alguma de se submeter a vontade do povo. Só que ele é convencido por Jerônimo (Cláudio Marzo), João Reis (Mário Lago) e o professor Fraga Neto (Gracindo Junior) de que é melhor libertar Pedro e Ana, para que não haja um derramamento de sangue. Assim, sentindo-se pressionado, o delegado decide libertar Pedro Arcanjo, que sai da prisão e é aclamado pelo povo.
Nas cenas finais da minissérie, o público retorna a acompanhar os últimos momentos de Pedro Arcanjo, que agoniza nas ruas de Salvador. Ele morre, mas a sua missão foi cumprida, pois a cultura mestiça começa a ganhar força na Bahia e em todo o Brasil.
Tenda dos Milagres fala ainda sobre os amores aparentemente impossíveis, como o de Budião (Antonio Pompeo) e Sabina (Solange Couto), que não podem ficar juntos pela incompatibilidade entre seus santos. Outro romance polêmico é entre Damião (Joel Silva) e Luísa (Julia Lemmertz). Ele, negro, ela, branca, filha de Nilo Argolo. Os dois enfrentam os preconceitos familiares e da sociedade em nome do amor e se casam. Quando descobre que sua filha casou com um negro, o professor Argolo, sofre um derrame cerebral. Com graves sequelas, ele acaba inválido, preso a uma cama.
Adaptar a história de um livro para a televisão é super importante, já que muitos brasileiros devido a outras necessidades não investem o seu dinheiro na compra de livros. Além do mais, ainda existe no país um grande número de analfabetos. No entanto, em 1985, quando a minissérie foi ao ar muitos brasileiros descobriram o livro Tenda dos Milagres, fazendo com que as vendas do livro aumentassem. Era a força da televisão impulsionando a literatura no Brasil.
Foram necessários 30 capítulos para contar a história de Tenda dos Milagres. É claro que grande parte das cenas foram feitas em locações de Salvador e Cachoeira, na Bahia. Porém, algumas também foram feitas no Rio de Janeiro, principalmente as de estúdio.
Para transportar para a televisão o universo descrito por Jorge Amado, foi necessário fazer uma minuciosa pesquisa, principalmente da arquitetura que compreendia os anos de 1913 e 1930. O cuidado era tanto ao retratar aquela época que foi preciso pintar as casas com as cores antigas e, em seguida, pintá-las novamente com as cores originais. Os figurinos, costumes e rituais do candomblé também mereceram atenção especial.
Assim como outras obras da literatura brasileira, Tenda dos Milagres também chegou ao cinema. Foi no ano de 1977 quando o diretor Nelson Pereira dos Santos filmou a história de Pedro Arcanjo, o ojuobá (olhos de Xangô), no Candomblé.
Um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira até hoje foi exibida nos anos 80: a novela Vale Tudo, na TV Globo. Escrita por Gilberto Braga com colaboração de Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, a novela tocou em temas como corrupção e falta de ética, fazendo com que os telespectadores ficassem do lado de quem agia de forma corretamente, ao invés de apoiar quem queria dar o golpe, subir na vida a qualquer custo.
A novela gira em torno da honestidade e da desonestidade dos personagens. Raquel Accioli (Regina Duarte), por exemplo, é uma mulher batalhadora que trabalha com afinco para sobreviver de forma honesta, enquanto que sua filha Maria de Fátima (Glória Pires) quer subir na vida o mais rapidamente possível, nem que para isso tenha que passar por cima dos sentimentos de sua mãe para conseguir o seu objetivo. Outro personagem ético é o administrador de empresas Ivan (Antonio Fagundes). Já Marco Aurélio (Reginaldo Faria) é mau-caráter e desvia dinheiro da empresa onde trabalha como vice-presidente, a Companhia Aérea TCA, para sua própria conta.
No início, Maria de Fátima mora com sua mãe, Raquel, no Paraná. Ambiciosa, Maria de Fátima vende a casa onde elas moram e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro para se tornar modelo. Sem ter onde morar, Raquel decide ir para o Rio de Janeiro, onde conhece Ivan, por quem se apaixona. Raquel precisa trabalhar para se sustentar e decide vender sanduíches na praia. Ela conta com a ajuda do amigo Audálio, mais conhecido como Poliana (Pedro Paulo Rangel).
Enquanto Raquel ganha a vida honestamente, Maria de Fátima se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), ex- modelo e que atua como garoto de programa. Os dois decidem dar um golpe em Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), filho da empresária e toda poderosa Odete Roitman (Beatriz Segall), presidente da TCA. Mas, para que o plano de Maria de Fátima e César dê certo, eles tem que afastar Afonso da jornalista Solange (Lídia Brondi), de quem é namorado. E olha que foi Solange quem acolheu Maria de Fátima quando ela chegou ao Rio.
A partir de um determinado momento, Maria de Fátima conta com a ajuda de Odete Roitman para se casar com seu filho. Isto porque Odete Roitman pede que Maria de Fátima separe Raquel de Ivan, para que o administrador de empresas se case com a artista plástica Heleninha (Renata Sorrah), filha de Odete Roitman. Heleninha é uma mulher frágil e insegura, que tem graves problemas com o alcoolismo. Ela foi casada com Marco Aurélio e tem um filho, Tiago (Fábio Villa Verde), que ele pensa ser gay.
Após mais uma armação de Maria de Fátima, Raquel acusa Ivan de ser desonesto e os dois se separam. Pronto, o caminho está livre para que Ivan e Heleninha se casem. Já Maria de Fátima, com a ajuda de Odete Roitman, consegue se casar com Afonso. Porém, ela só terá direito à fortuna de Afonso após dois anos de casamento. O tempo passa e Maria de Fátima e César continuam amantes. Os dois não veem a hora de botar a mão na fortuna de Afonso. No entanto, dois meses antes do prazo estipulado, Odete descobre o romance da nora com César. Ela fica furiosa, já que César também é seu amante. Maria de Fátima é desmascarada e sem o apoio da sogra, ela sai de casa sem nenhum tostão. Como não tem mais a quem recorrer, Maria de Fátima vai a procura de Raquel, que se recusa a ajudar a filha, mesmo estando bem de vida, afinal ela agora é proprietária de uma rede de restaurantes.
Sem ter com quem contar, Maria de Fátima se torna amante de Marco Aurélio, que é casado com Leila (Cássia Kis Magro), ex-mulher de Ivan. Ela desconfia que seu marido tem uma amante e num gesto de fúria e ódio mata Odete Roitman, pensando que ela era Maria de Fátima. Aliás, o assassinato da rica executiva movimentou os capítulos finais da novela. Afinal, todo mundo se perguntava: Quem matou Odete Roitman? Não é exagero afirmar que o Brasil inteiro parou no dia em que foi desvendado o mistério: Leila era a assassina.
Se você pensou que o autor iria punir Marco Aurélio por suas falcatruas, ou Leila por ter assassinado Odete Roitman, ledo engano. Os dois fogem do país, após Marco Aurélio aplicar um golpe financeiro. Ele ainda deu uma banana (considerado um gesto ofensivo) para o Brasil, uma das cenas mais emblemáticas da teledramaturgia brasileira. Maria de Fátima também não é punida. Em mais um golpe elaborado por César, ela se casa com um nobre italiano gay.
Já outros personagens têm o merecido final feliz: Raquel e Ivan terminam juntos, Afonso e Solange reatam e Heleninha conhece William (Dênis Carvalho), que a ajuda a se livrar do alcoolismo, levando-a aos Alcoólicos Anônimos. Outros personagens não têm a mesma sorte de Raquel e Ivan. É o caso de Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska). Elas mantinham um caso, porém Cecília morre em um acidente de carro. Ao deixar seus bens para Laís, ela tem que enfrentar a fúria de Marco Aurélio, irmão de Cecília, que não aceitava o relacionamento das duas e faz de tudo para que Laís não receba a herança.
Não foi só o excelente texto de Gilberto Braga e de seus colaboradores, a direção e a atuação dos atores que fizeram sucesso na novela. A personagem de Lídia Brondi, por exemplo, fez um enorme sucesso com seu cabelo liso, ruivo e com franja reta. Não havia mulher que não quisesse ter o corte de cabelo igual ao de Solange. Aliás, suas roupas também eram objeto de consumo por quem assistia a novela. O cabelo curto de Maria de Fátima também fez um enorme sucesso entre as telespectadoras, assim como o figurino da rica e sofisticada Odete Roitman.
Todo mundo amava odiar Odete Roitman, e apesar de ser uma vilã a personagem conquistou grande popularidade. Afinal, ela era uma personagem esnobe, irritante, manipuladora e se achava superior a todos. Falava mal do Brasil e exaltava países como a França. Tratava mal os empregados e manipulava a vida dos filhos. Ela, inclusive, faz Heleninha acreditar que é a responsável pela morte de seu irmão, e vive alimentando sua culpa.
Apesar de ter durado somente 11 capítulos, o misterioso assassinato de Odete Roitman deixou o Brasil inteiro em polvorosa. Afinal, a personagem tinha muitos inimigos e qualquer um poderia ser o assassino. O mistério em torno do assassino era tanto que foram escritas cinco versões diferentes para o último capítulo. E para manter o segredo até o final, a cena só foi gravada no dia em que ela foi ao ar. Ou seja, somente os atores envolvidos, equipe técnica e direção é que sabiam quem era o verdadeiro assassino de Odete Roitman.
Depois que Vale Tudo terminou, a novela foi vendida para mais de 30 países. Um dos países onde a novela fez mais sucesso foi Cuba. Uma prova da popularidade da novela é que os pequenos restaurantes privados inaugurados no país a partir dos anos 1990 passaram a ser designados de Paladar, o nome do restaurante de Raquel.
Para comprovar o seu sucesso, a novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, em 1992 (a primeira exibição ocorreu em 1988/1989), e mais recentemente, em 2010, no Canal Viva, veiculado na TV fechada. Mesmo tendo sido exibida tarde da noite, de segunda a sexta, às 0h45, a novela teve uma excelente audiência, comprovando que os temas abordados ainda dão muito o que falar nos dias de hoje. Em 2002, foi lançada a versão hispânica da novela, Vale Todo, uma coprodução entre a Rede Globo e a Telemundo, braço hispânico da rede americana NBC. A novela foi adaptada por Yves Dumont.
O único problema enfrentado pela novela foi com relação a abordagem do homossexualismo feminino, protagonizado por Cristina Prochaska e Lala Deheinzelin. A Censura Federal interferiu nos diálogos e muitas cenas tiveram que ser reescritas.