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sábado, 29 de agosto de 2015

Morre aos 61 anos a radialista gaúcha Mary Mezzari

Mary foi vítima de um ataque cardíaco fulminante na madrugada deste sábado.

Morre aos 61 anos a radialista gaúcha Mary Mezzari Reprodução/WebDinâmico FM
A radialista Mary Mezzari morreu na madrugada deste sábado, em Porto Alegre. Conhecida voz da Rádio Ipanema FM, Mary foi vítima de um ataque cardíaco fulminante. O velório ocorrerá a partir das 20h deste sábado na Capela A do cemitério Jardim da Paz, na Capital. No domingo, o enterro ocorre a partir das 17h.
Mary Beatriz Silva Mezzari, nascida em 12 de setembro de 1953, atuou como jornalista, radialista e atriz durante toda sua trajetória profissional, que incluiu passagens por veículos como Zero Hora, Rádio Gaúcha, Rádio Cultura e a Rádio Bandeirantes, que depois foi rebatizada de Ipanema, e participação em peças de teatro e curtas-metragens.
A radialista ficou conhecida do público justamente em sua carreira na Ipanema. Começou a trabalhar lá a convite do jornalista Nilton Fernando, no início dos anos 1980, quando ele era diretor de programação, na sede da rádio Bandeirantes na José Bonifácio. "Excelente redatora vinda de Zero Hora e uma das mais belas vozes do rádio", nas palavras de Nilton, Mary relutou no início em ser locutora cobrindo férias do jornalista Mauro Borba, mas Nilton a convenceu de que vozes de "pessoas normais falando na rádio", algo inédito na época, seriam algo interessante.
– O timbre de voz que ela tinha era incrível. Aquela voz rouca, aveludada, emotiva. Mary foi uma uma das mais completas profissionais que conheci – afirma Nilton.
Diretor de jornalismo do Grupo RBS, o jornalista Marcelo Rech trabalhou com Mary na década de 1980 e 1990 na Rádio Gaúcha e em Zero Hora, onde ela atuou principalmente em funções de sub-editora de capa e como redatora de páginas como Informe Especial e a contracapa diária do jornal.
– Era apaixonada por jornalismo e por rádio. Uma profissional muito divertida, para cima e alegre – recorda Rech.
Bob Bales, que comandava o programa de auditório Bob Pop Show e que trabalhou na Ipanema em 1993, foi produtor do programa Prato Feito, comandando por Mary.
– Foi um dos primeiros programas da FM no horário do meio-dia. Ela entrevistava atores e personalidades do meio cultural do Estado. Era referência na área – conta Bob.
Como atriz, Mary atuou em alguns curtas gaúchos e também na peça de teatroMemory Motel, inspirada em textos de Charles Bukowski.
Radar musical desde a infância
Irmão de Mary, o jornalista Sílvio Mezzari lembra que o gosto musical vem desde a infância:
— A brincadeira que ela mais gostava era imitar os Beatles. Ela sempre foi muito fã e muito bem informada sobre a música. Tinha seus ídolos e vivia com as paredes cheias de pôsteres — afirma.
Segundo o familiar, o período da ditadura foi uma época em que Mary demonstrou entusiasmo em defender a democracia. Anos mais tarde, chegou a se filiar no Partido dos Trabalhadores e no PCdoB (em 2010).
Entre as marcas de sua personalidade, o irmão destaca o fato de ser fiel aos amigos e as suas próprias posições:
— Ela perdia o amigo ou emprego mas não perdia a piada. Não era pessoa de "deixar para lá" — diz.
A radialista Kátia Suman, que dividiu microfones com Mary em diversas ocasiões, caracteriza como "memoráveis" os diálogos que teve com ela. Para Kátia, ela foi fundamental para a história da rádio
— A Mary era ao mesmo tempo engraçada, cri-cri, amorosa e explosiva. Complexa e contraditória como todo mundo. Tinha um senso de humor muito peculiar, era rápida e perspicaz. O seu texto era perfeito para rádio, direto, objetivo, sem firulas. E com uma dose extra de ironia.
Mary não deixa filhos. Ela vivia no bairro Petrópolis, onde faleceu na manhã deste sábado.
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