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sábado, 9 de abril de 2016
Gol Volkswagen - [1980]
É da sua Época? Quem se lembra ou tinha esse modelo de automóvel da "Volkswagen Gol" em meados anos 80? Em 1980 o Gol, um automóvel compacto que caiu logo no gosto popular, assim com sua chegada decretou o fim da VW Brasilia e criou uma linhagem de carros vencedores.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Opala Diplomata 0 km está em concessionária do Recife
Imagine entrar em uma concessionária Chevrolet hoje, e se deparar com um Opala 1988 0km?
Isso é o que pode acontecer com os morardes de Recife. Lá está um Opala Diplomata 4.1 S 1988 0km. Mas não se animem, o modelo não está a venda.
O modelo está apenas em exposição em uma concessionária GM, em Recife e com certeza deve deixar muitos amantes do modelo loucos para comprar o carro.
No velocímetro vemos que o carro tem aparentemente 70 km, se estivesse a venda, não poderia ser vendido como novo, para isso teria que ter menos de 50 km rodados.
Nas imagens vemos que a pintura está impecável, assim como o interior que possui até plástico nos bancos. Na parte do motor, vemos que o veículo com quase 40 anos teve apenas a bateria trocada e as demais peças parecem originais.
domingo, 22 de novembro de 2015
Quanto custaria os esportivos de antigamente hoje em dia
O preço dos carros brasileiros é sempre motivo de discussões acaloradas, e foi até parar no Senado Federal, que chamou representantes da indústria e comércio para esclarecer os fatores que influenciam os valores à população. Uns acham que eles estão caros como nunca, enquanto o pessoal que se lembra dos anos 1980 costuma dizer que nunca foi tão fácil comprar um automóvel no Brasil.
Pesquisamos os preços dos carros que realmente nos interessam — os esportivos brasileiros, desde o pioneiro Willys Interlagos – e com a ajuda de um economista os atualizamos de acordo com os índices econômicos de correção do Banco Central para descobrir quanto eles custariam em valores de 2015. Os preços atualizados estão sempre entre parênteses.

O primeiro esportivo do Brasil chegou às lojas em 1962, custando 2,7 milhões de cruzeiros (R$ 139.700) numa época em que as opções eram bastante reduzidas, e o carro ainda um artigo de luxo. O Fusca custava 1,45 milhões de cruzeiros (R$ 83.950) e era o carro de passeio mais barato do país. O Interlagos dividiu o status de esportivo com o Karmann-Ghia, que usava mesma mecânica do Fusca, e que custava quase o mesmo que o concorrente: 2,56 milhões de cruzeiros (R$ 139.700).

O Puma GT “Malzoni” foi lançado em 1967, no mesmo ano em que a Willys encerrava a produção do Interlagos e o Karmann-Ghia recebia mais potência com o motor 1500. O fora-de-série, ainda com mecânica DKW, saía por 1,35 milhão de cruzeiros (R$ 131.550). Como você vai reparar a seguir, os preços destes esportivos de construção artesanal e escala reduzida eram relativamente altos em comparação ao que viria na década seguinte.

O mercado de esportivos começou a esquentar na década de setenta, com a chegada do belo SP2 em 1972 por 30.900 cruzeiros (R$ 99.900). Mesmo sendo bonito, confiável e robusto, eu juntaria uns trocados e pagaria 31.500 cruzeiros (R$ 105.060) pelo Puma GTE, de desempenho e beleza semelhantes.

Se o seu negócio fosse carros maiores e mais nervosos, em 1975 tínhamos o Opala SS, o Maverick GT V8, o Dodge Charger R/T e o Puma GTB. Destes o mais barato era o Opala SS-6, que custava 64.000 cruzeiros (R$ 117.840), enquanto o Maverick cobrava 67.900 cruzeiros (R$ 125.030) por seu V8 302 canadense.

Se nosso colega Juliano Barata quisesse passear de Dodge por aí naquela época, precisaria abrir mais o bolso e desembolsar 82.350 cruzeiros (R$ 151.470) por um Charger R/T, uma bela economia diante do fora-de-série Puma GTB tabelado em 88.300 cruzeiros (R$ 162.500) e que vinha com o mesmo conjunto motriz do SS-6.

Em 1976 a VW finalmente lançou um esportivo com motor refrigerado a água, muito mais moderno que seu boxer da década de 30 que equipava os “esportivos” SP2, Karmann-Ghia TC e Fusca 1600S. Por isso os 62.300 cruzeiros (R$ 82.700) parecem bastante razoáveis por um fastback alemão naturalizado brasileiro que, se não esbanjava potência, oferecia qualidades de condução incomparáveis para a época.

Quando a Puma lançou o GTB S2 de 380.000 cruzeiros (R$ 201.200) no fim da década, o Charger R/T havia sido transformado em uma versão esquisita do comportado Magnum. Seus rivais Maverick GT e Opala SS tornaram-se esportivos de adesivo com seus motores de quatro cilindros e desempenho limitado. A coisa só voltaria aos eixos na década seguinte.

O mercado de esportivos voltou a esquentar novamente na metade dos anos 80, quando a Volkswagen colocou o motor 1.8 do Santana em um Gol e o envenenou com um comando de válvulas alemão, criando o primeiro Gol GT, de 13.2 milhões de cruzeiros (R$ 70.700). Seu principal rival era o Escort XR3, que não tinha o mesmo desempenho, mas era mais moderno e visualmente idêntico ao modelo europeu. Custava 15,3 milhões de cruzeiros (R$ 81.220) e tinha teto-solar de série. O XR3 conversível chegou um ano depois, quando a inflação levou seu preço a conversível a 72 milhões de cruzeiros (R$ 143.400).

Outra opção interessante, mesmo em fim de carreira, era o Passat Pointer, encontrado por 550.000 cruzados (109.900 reais). Nessa mesma época a VW substituía o Gol GT pelo GTS, que em tempos de loucura econômica e inflação descontrolada era vendido por 523.200 cruzados (R$ 116.060). A Chevrolet participava discretamente do mercado de esportivos com o belo Monza S/R 2.0, de 473.400 cruzados (R$ 105.100).

No ano seguinte a Fiat entrava na briga com o nervosinho Uno 1.5 R, o mais barato deles, custando 1,2 milhão de cruzados (R$ 75.750), e em 1989 o Escort XR3 finalmente ganhava desempenho com o motor AP1800 idêntico ao do Gol GTS, e custava o equivalente a R$ 113.330.

O fim da reserva de mercado também foi o fim dos esportivos carburados. O primeiro da nova geração eletrônica foi o Gol GTi, que entrou na década de 90 embalado pelo potente AP 2000, pronto para encarar o renovado Escort XR3 2.0 e o moderno Kadett GSi. Em um comparativo feito em 1993, o pequeno Volks ganhou na pista e na tabela: custava 307,3 milhões de cruzeiros (R$ 93.500), enquanto Kadett e Escort empatavam, custando 370,5 milhões (R$ 112.600) e 374 milhões de cruzeiros (R$ 113.600) respectivamente.

A economia mais estável em 1994 resultou nos belos duelos entre os aspirados multiválvulas da Chevrolet – Corsa GSi, de 21.500 reais (R$ 90.900) e Vectra GSi, de 39.000 reais (R$ 169.000) – e os turboalimentados da Fiat: o Uno Turbo de 22.500 reais (R$ 95.150) e o Tempra Turbo 33.270 reais (R$ 140.350).

Depois foi a vez da Volkswagen atualizar seu Gol GTI, primeiro com o velho 2.0 8v e mais tarde com um moderno 2.0 16v trazido da Alemanha. Os modelos se diferenciavam pelas rodas, pela emblemática bolha no capô do modelo multiválvulas e, obviamente, pelo preço: R$ 22.800 (R$ 66.200 em 2015) o GTI 8v e R$ 30.900 (R$ 89.850 em 2015) o GTI 16v.

No fim dos anos 90 o Gol GTI passou a ser produzido apenas com o motor 16v e ganhou duas portas traseiras. A Ford, sempre na lanterna, limitou-se a criar um Escort RS sobre o modelo GL duas-portas, usando saias e spoilers, rodas exclusivas e painel de instrumentos de fundo branco. Custava R$ 25.000 (R$ 68.200 em 2015). A GM seguiu a mesma fórmula, oferecendo um Astra fantasiado por R$ 29.500 (R$ 73.500 em 2015).

Já nos anos 2000 a Fiat trouxe o Brava HGT , um modelo 1.8 oferecido por R$ 35.114 (R$ 73.350 atualmente) na época do lançamento. Mas o destaque mesmo era o lendário Marea Turbo de 182 cv, que brigava pelo topo da tabela de potência nacional com o também turbinado Golf GTI de 150 cv (potência que mais tarde aumentaria para 180 cv). Em 2003 a Fiat cobrava R$ 57.990 reais (R$ 97.600 em 2015), enquanto o hatch da Volkswagen saía por R$ 62.200 (R$ 105.600 em 2015). Houve ainda o Golf GTI VR6, limitado em 99 unidades, que custava assustadores R$ 105.600 (R$ 177.200 em 2015) e curiosamente entregava quase o mesmo desempenho do GTI turbo.

Talvez para se redimir do Escort RS, a Ford acertou a mão ao colocar o motor 1.6 do moribundo Escort no pequenino Ka. Mesmo com modestos 96 cv ele provou ao país que diversão ao volante nem sempre se mede pela ficha técnica. A brincadeira custava R$ 25.500 (R$ 53.500 em 2015).

Depois de quase 10 anos o Brasil voltava a ter um esportivo fora-de-série: o Lobini H1 foi inspirado nos Lotus e usava o motor 1.8 turbo do Golf GTI. Mais leve e nascido para correr, seu desempenho era bastante superior. Sempre bem caro, custava R$ 170.000 (R$ 253.600 em valores atuais).

Outro esportivo da Fiat foi o Stilo Abarth, que apesar do visual discreto, tinha motorização exclusiva de 2.4 litros, cinco cilindros e vinte válvulas, e recebeu o emblema do escorpião que caracteriza tradicionalmente os esportivos da Fiat. Vinha equipado com tecnologias inéditas em carros brasileiros, mas cobrava R$ 90.450 (R$ 144.600 em 2015) pela conveniência.

Um dos últimos – e melhores – esportivos nacionais foi o Civic Si, que na época de seu lançamento (lá se vão oito anos, galera…) custava R$ 99.000 (R$ 148.900 em 2015) e rivalizava com o decadente Golf GTI “Mk 4,5″, que teve sua injeção eletrônica remapeada para render 193 cv com gasolina de alta octanagem. Junto com a potência, o preço também subiu e foi para R$ 90.500 (R$ 136.200 em 2015).
Os valores foram consultados em tabelas de veículos novos de suas respectivas épocas e foram corrigidos pelos índices IGP-DI da FGV (veículos anteriores a 1979) e IPC-A e IPCA-E do IBGE (1980 em diante). Entre vários fatores, os índices estudam a relação entre renda média familiar mensal, o custo de vida e o gasto médio familiar mensal, portanto o valor dos carros corrigido simula o poder de compra de cada época. Agradecemos ao economista Januário Hostin Júnior pelas orientações na atualização dos valores.
Pesquisamos os preços dos carros que realmente nos interessam — os esportivos brasileiros, desde o pioneiro Willys Interlagos – e com a ajuda de um economista os atualizamos de acordo com os índices econômicos de correção do Banco Central para descobrir quanto eles custariam em valores de 2015. Os preços atualizados estão sempre entre parênteses.
Década de 1960
O primeiro esportivo do Brasil chegou às lojas em 1962, custando 2,7 milhões de cruzeiros (R$ 139.700) numa época em que as opções eram bastante reduzidas, e o carro ainda um artigo de luxo. O Fusca custava 1,45 milhões de cruzeiros (R$ 83.950) e era o carro de passeio mais barato do país. O Interlagos dividiu o status de esportivo com o Karmann-Ghia, que usava mesma mecânica do Fusca, e que custava quase o mesmo que o concorrente: 2,56 milhões de cruzeiros (R$ 139.700).
O Puma GT “Malzoni” foi lançado em 1967, no mesmo ano em que a Willys encerrava a produção do Interlagos e o Karmann-Ghia recebia mais potência com o motor 1500. O fora-de-série, ainda com mecânica DKW, saía por 1,35 milhão de cruzeiros (R$ 131.550). Como você vai reparar a seguir, os preços destes esportivos de construção artesanal e escala reduzida eram relativamente altos em comparação ao que viria na década seguinte.
Década de 1970
O mercado de esportivos começou a esquentar na década de setenta, com a chegada do belo SP2 em 1972 por 30.900 cruzeiros (R$ 99.900). Mesmo sendo bonito, confiável e robusto, eu juntaria uns trocados e pagaria 31.500 cruzeiros (R$ 105.060) pelo Puma GTE, de desempenho e beleza semelhantes.
Se o seu negócio fosse carros maiores e mais nervosos, em 1975 tínhamos o Opala SS, o Maverick GT V8, o Dodge Charger R/T e o Puma GTB. Destes o mais barato era o Opala SS-6, que custava 64.000 cruzeiros (R$ 117.840), enquanto o Maverick cobrava 67.900 cruzeiros (R$ 125.030) por seu V8 302 canadense.
Se nosso colega Juliano Barata quisesse passear de Dodge por aí naquela época, precisaria abrir mais o bolso e desembolsar 82.350 cruzeiros (R$ 151.470) por um Charger R/T, uma bela economia diante do fora-de-série Puma GTB tabelado em 88.300 cruzeiros (R$ 162.500) e que vinha com o mesmo conjunto motriz do SS-6.
Em 1976 a VW finalmente lançou um esportivo com motor refrigerado a água, muito mais moderno que seu boxer da década de 30 que equipava os “esportivos” SP2, Karmann-Ghia TC e Fusca 1600S. Por isso os 62.300 cruzeiros (R$ 82.700) parecem bastante razoáveis por um fastback alemão naturalizado brasileiro que, se não esbanjava potência, oferecia qualidades de condução incomparáveis para a época.
Quando a Puma lançou o GTB S2 de 380.000 cruzeiros (R$ 201.200) no fim da década, o Charger R/T havia sido transformado em uma versão esquisita do comportado Magnum. Seus rivais Maverick GT e Opala SS tornaram-se esportivos de adesivo com seus motores de quatro cilindros e desempenho limitado. A coisa só voltaria aos eixos na década seguinte.
Década de 1980
O mercado de esportivos voltou a esquentar novamente na metade dos anos 80, quando a Volkswagen colocou o motor 1.8 do Santana em um Gol e o envenenou com um comando de válvulas alemão, criando o primeiro Gol GT, de 13.2 milhões de cruzeiros (R$ 70.700). Seu principal rival era o Escort XR3, que não tinha o mesmo desempenho, mas era mais moderno e visualmente idêntico ao modelo europeu. Custava 15,3 milhões de cruzeiros (R$ 81.220) e tinha teto-solar de série. O XR3 conversível chegou um ano depois, quando a inflação levou seu preço a conversível a 72 milhões de cruzeiros (R$ 143.400).
Outra opção interessante, mesmo em fim de carreira, era o Passat Pointer, encontrado por 550.000 cruzados (109.900 reais). Nessa mesma época a VW substituía o Gol GT pelo GTS, que em tempos de loucura econômica e inflação descontrolada era vendido por 523.200 cruzados (R$ 116.060). A Chevrolet participava discretamente do mercado de esportivos com o belo Monza S/R 2.0, de 473.400 cruzados (R$ 105.100).
No ano seguinte a Fiat entrava na briga com o nervosinho Uno 1.5 R, o mais barato deles, custando 1,2 milhão de cruzados (R$ 75.750), e em 1989 o Escort XR3 finalmente ganhava desempenho com o motor AP1800 idêntico ao do Gol GTS, e custava o equivalente a R$ 113.330.
Década de 1990
O fim da reserva de mercado também foi o fim dos esportivos carburados. O primeiro da nova geração eletrônica foi o Gol GTi, que entrou na década de 90 embalado pelo potente AP 2000, pronto para encarar o renovado Escort XR3 2.0 e o moderno Kadett GSi. Em um comparativo feito em 1993, o pequeno Volks ganhou na pista e na tabela: custava 307,3 milhões de cruzeiros (R$ 93.500), enquanto Kadett e Escort empatavam, custando 370,5 milhões (R$ 112.600) e 374 milhões de cruzeiros (R$ 113.600) respectivamente.
A economia mais estável em 1994 resultou nos belos duelos entre os aspirados multiválvulas da Chevrolet – Corsa GSi, de 21.500 reais (R$ 90.900) e Vectra GSi, de 39.000 reais (R$ 169.000) – e os turboalimentados da Fiat: o Uno Turbo de 22.500 reais (R$ 95.150) e o Tempra Turbo 33.270 reais (R$ 140.350).
Depois foi a vez da Volkswagen atualizar seu Gol GTI, primeiro com o velho 2.0 8v e mais tarde com um moderno 2.0 16v trazido da Alemanha. Os modelos se diferenciavam pelas rodas, pela emblemática bolha no capô do modelo multiválvulas e, obviamente, pelo preço: R$ 22.800 (R$ 66.200 em 2015) o GTI 8v e R$ 30.900 (R$ 89.850 em 2015) o GTI 16v.
No fim dos anos 90 o Gol GTI passou a ser produzido apenas com o motor 16v e ganhou duas portas traseiras. A Ford, sempre na lanterna, limitou-se a criar um Escort RS sobre o modelo GL duas-portas, usando saias e spoilers, rodas exclusivas e painel de instrumentos de fundo branco. Custava R$ 25.000 (R$ 68.200 em 2015). A GM seguiu a mesma fórmula, oferecendo um Astra fantasiado por R$ 29.500 (R$ 73.500 em 2015).
Década de 2000
Já nos anos 2000 a Fiat trouxe o Brava HGT , um modelo 1.8 oferecido por R$ 35.114 (R$ 73.350 atualmente) na época do lançamento. Mas o destaque mesmo era o lendário Marea Turbo de 182 cv, que brigava pelo topo da tabela de potência nacional com o também turbinado Golf GTI de 150 cv (potência que mais tarde aumentaria para 180 cv). Em 2003 a Fiat cobrava R$ 57.990 reais (R$ 97.600 em 2015), enquanto o hatch da Volkswagen saía por R$ 62.200 (R$ 105.600 em 2015). Houve ainda o Golf GTI VR6, limitado em 99 unidades, que custava assustadores R$ 105.600 (R$ 177.200 em 2015) e curiosamente entregava quase o mesmo desempenho do GTI turbo.
Talvez para se redimir do Escort RS, a Ford acertou a mão ao colocar o motor 1.6 do moribundo Escort no pequenino Ka. Mesmo com modestos 96 cv ele provou ao país que diversão ao volante nem sempre se mede pela ficha técnica. A brincadeira custava R$ 25.500 (R$ 53.500 em 2015).
Depois de quase 10 anos o Brasil voltava a ter um esportivo fora-de-série: o Lobini H1 foi inspirado nos Lotus e usava o motor 1.8 turbo do Golf GTI. Mais leve e nascido para correr, seu desempenho era bastante superior. Sempre bem caro, custava R$ 170.000 (R$ 253.600 em valores atuais).
Outro esportivo da Fiat foi o Stilo Abarth, que apesar do visual discreto, tinha motorização exclusiva de 2.4 litros, cinco cilindros e vinte válvulas, e recebeu o emblema do escorpião que caracteriza tradicionalmente os esportivos da Fiat. Vinha equipado com tecnologias inéditas em carros brasileiros, mas cobrava R$ 90.450 (R$ 144.600 em 2015) pela conveniência.
Um dos últimos – e melhores – esportivos nacionais foi o Civic Si, que na época de seu lançamento (lá se vão oito anos, galera…) custava R$ 99.000 (R$ 148.900 em 2015) e rivalizava com o decadente Golf GTI “Mk 4,5″, que teve sua injeção eletrônica remapeada para render 193 cv com gasolina de alta octanagem. Junto com a potência, o preço também subiu e foi para R$ 90.500 (R$ 136.200 em 2015).
Os valores foram consultados em tabelas de veículos novos de suas respectivas épocas e foram corrigidos pelos índices IGP-DI da FGV (veículos anteriores a 1979) e IPC-A e IPCA-E do IBGE (1980 em diante). Entre vários fatores, os índices estudam a relação entre renda média familiar mensal, o custo de vida e o gasto médio familiar mensal, portanto o valor dos carros corrigido simula o poder de compra de cada época. Agradecemos ao economista Januário Hostin Júnior pelas orientações na atualização dos valores.
Fonte: Portal Vídeos
domingo, 30 de agosto de 2015
Miura. O esportivo gaúcho que revolucionou o final dos anos 70 e toda a década de 80. Tecnologia arrojada e audaciosa para a época.
Com as importações proibidas pelo governo federal desde o final da década de 1950, o “jeitinho brasileiro” na época foi criar, a partir da fibra de vidro, plataforma e mecânica Volkswagen, um segmento quase que exclusivamente nacional: o dos fora-de-série. Seguindo essa receita, os sócios gaúchos Aldo Besson e Itelmar Gobbi, proprietários da Aldo Auto Capas (que produzia bancos e acessórios para automóveis) decidiram expandir os negócios. A ideia era produzir um esportivo nacional nunca antes visto, com desenho revolucionário e acabamento refinado. Assim, em maio de 1977, nascia o Miura Sport.
O modelo chamava atenção pela frente longa em formato de cunha, com destaque para os faróis escamoteáveis acionados por uma tecla no painel. O para brisa bastante inclinado dá continuidade ao design sem que a visão do motorista seja diminuída ou prejudicada. Os limpadores ficavam alojados em um compartimento entre o capô e o para-brisa, e só apareciam quando acionados – assim como os faróis.
Ao contrário de outros fora-de-série, muitas das peças utilizadas na fabricação do Miura foram projetados exclusivamente para ele. Como, por exemplo, as lanternas traseiras desenvolvidas para acompanhar o desenho do para-choque fabricado em plástico injetado. Mais impressionante do que o design, o acabamento interno surpreendeu as revistas especializadas na ocasião do lançamento. O interior era revestido de náilon, incluindo o painel, laterais e o teto estofado. O assoalho acarpetado completava o acabamento chique. O quadro de instrumentos tradicional, com velocímetro e conta-giros, era complementado por outro módulo com termômetro de óleo, pressão do óleo, amperímetro e marcador de combustível.
O Sport vinha de série com regulagem elétrica de altura do volante, um item não disponível nem no automóvel de luxo mais caro produzido no Brasil daquela época, o Ford Landau. Os pedais também possuíam regulagem: por meio de extensões ajustáveis manualmente, era possível modificar a posição de cada pedal, facilitando assim encontrar a posição ideal para dirigir. Os bancos individuais com desenho único e formato retangular foram desenvolvidos para receber o motorista e passageiro de forma esportiva. Eram anatômicos, com apoios de cabeça reclináveis e revestidos do mesmo material da cabine.
Mecanicamente, pouca coisa foi alterada em relação ao propulsor Volkswagen 1.600 que equipava a linha da fabricante alemã, a fim de facilitar a manutenção do esportivo. Logo, o desempenho não agradava tanto quanto a sofisticação, tendo como velocidade máxima 135 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 23 segundos. Os freios receberam disco na frente e tambor atrás, além da coluna de direção retrátil que era requisito exigido pelo Contran na época.
Assim como o motor, a suspensão também foi mantida. Já o tanque de combustível foi instalado na traseira, entre o compartimento interno e o motor, o que garantiu amplo espaço interno e boa acomodação para a bagagem no porta-malas dianteiro. Mas a segurança em uma colisão traseira ficava comprometida pela proximidade com o propulsor.
Como opcional a Miura oferecia rádio com toca-fitas, vidros com acionamento elétrico e ar-condicionado. Com bom número de vendas do modelo Sport, a marca vinha ganhando espaço entre os fora-de-série. Das cerca de 250 unidades vendidas em 1979, algumas foram exportadas e fizeram sucesso no mercado internacional.
Para 1980 o Sport ganhava uma pequena reestilização, concentrada principalmente na traseira. O carro perdeu a terceira porta e o vidro traseiro passou a ser fixo com abas nas colunas. Para acompanhar essas mudanças, o esportivo ganhou novas lanternas e faróis, assim como para-choques de desenho inédito.
O ano de 1981 chegou com uma forte recessão econômica que abalou o mercado automobilístico. E a Miura foi uma das marcas que mais sofreu nesse período, entrando em uma crise sem precedentes. Com vendas de menos de 20 unidades no ano, os proprietários já pensavam em fechar a fábrica. Mas, passada a tormenta, a Miura voltou forte e apresentou uma nova opção de motor para o esportivo. Além do VW 1.600 a ar, na linha 1979 havia também o propulsor 1.6 refrigerado a água oriundo do Passat TS. Com 88 cv de potencia a 5.800 rpm e torque máximo de 13,3 kgfm, garantia um desempenho à altura do visual.
Em 1982 o portfólio da marca ganhava um novo integrante. A versão Targa aliava a proposta agressiva da versão Sport com o atrativo das partes removíveis da capota. Para lançar essa nova carroceria, a Miura desenvolveu um chassi tubular de aço construído especificamente para essa versão. O Targa era equipado com o mesmo motor 1.6 do Passat, mas a suspensão recebia uma nova configuração, com dianteira McPherson e traseira por eixo rígido, além da direção por pinhão e cremalheira mais firme e precisa.
No ano seguinte enfim chegava a versão conversível, que unia a proposta diferenciada do fabricante à uma carroceria que exalava elegância. Visualmente, o modelo apresentava uma distribuição de volumes que lembrava os esportivos europeus. O desenho da carroceria já incorporava a nova identidade da marca, mais retilínea, mas mantinha os característicos faróis escamoteáveis.
O ano de 1984 chegava para atribuir novos valores à Miura, com a eliminação da versão equipada com motor a ar e a estreia de um novo modelo, o Saga. Com carroceria de três volumes e uma proposta 2+2 lugares, poderia receber mais dois ocupantes de forma modesta. Era o suficiente para colocar a Miura em uma categoria de esportivos pouco explorada. Maior e mais espaçoso que a versão Sport, o Saga mantinha o acabamento luxuoso que já era tradição da marca. E, com o ganho nas medidas, o porta-malas saltava para 210 litros.
No mesmo ano a Miura apresentava uma proposta de um conversível mais acessível, com o resgate do motor VW 1.600 a ar que tinha equipado o Sport. Com nome de Kabrio, ele trazia um acabamento mais espartano, com painel de instrumentos do Ford Escort XR-3 e uma carroceria totalmente nova, com faróis redondos fixos e auxiliares no para-choque. Veio para concorrer diretamente com os modelos da Puma, mas os pedidos foram poucos e a fábrica desistiu da empreitada. Assim, foram fabricadas apenas 14 unidades do Kabrio, o modelo mais raro da marca atualmente.
Em 1986 a Miura estava comemorando 10 anos de existência, e apresentou as maiores novidades da história da marca. As novidades começavam pela abertura das portas, que abandonavam as maçanetas em favor de um controle remoto que destravava as portas do Saga. Com a chave no contato, uma voz computadorizada avisava sobre algo errado: pedia ao motorista para colocar o cinto de segurança, soltar o freio de estacionamento, travar as portas ou abastecer o tanque caso estivesse na reserva. Para completar os mimos, havia ainda uma pequena televisão acima do rádio e um bar refrigerado no banco traseiro. A Besson&Gobbi S.A havia conquistado a maior fatia do mercado de automóveis fora-de-série, produzindo cerca de 25 unidades por mês – 60% delas do Saga, 30% do Targa e os outros 10% do Spider.
Toda essa sofisticação do Saga fazia ele custar cerca de Cr$ 250 milhões, ultrapassando o preço do Alfa Romeo TI4, até então o automóvel mais caro produzido no Brasil. Equipado com motor 1.8 oriundo do Santana, desenvolvia 92 cv quando abastecido com álcool, o que não era suficiente para um desempenho esportivo. O painel de instrumentos vinha do Del Rey, mas não deixava de fora nenhum mostrador necessário para o motorista, como conta giros, marcador de pressão do óleo, amperímetro, velocímetro com marcação em milhas por hora (em km/h numa escala menor, visivelmente uma tentativa de parecer um carro importado) e marcador de combustível.
Em 1987 chegava o primeiro Miura equipado com neon de iluminação e o tradicional aerofólio mais alto, itens que se tornariam emblemáticos para a marca. E no ano seguinte estreava o X8, que introduzia uma reestilização na traseira com vidro mais amplo e envolvente, além de um aerofólio incorporado ao desenho do carro.
Com uso abundante de recursos eletrônicos, um novo modelo Top Sport chegava em 1989 com bancos dianteiros com regulagem elétrica e retrovisor fotocrômico que acrescentavam sofisticação ao modelo. O motor era emprestado do Gol GTi, com injeção eletrônica multiponto Bosch LE-Jetronic, desenvolvendo cerca de 125 cv e torque máximo de 19,5 kgfm. Os freios eram a disco nas quatro rodas ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS. O preço ficava acima do Santana Executive, o que fazia desse Miura o automóvel mais caro produzido no Brasil.
Com a abertura dos portos para os automóveis importados no começo dos anos 1990, os esportivos japoneses, europeus e americanos trouxeram uma proposta mais atraente que a do Miura, com preço bem abaixo do que era cobrado para se ter um modelo da marca gaúcha. Em 1992, então, o X-11 (substituto do X8) era o último esportivo pela marca mais avançada do cenário fora-de-serie brasileiro.
Por Junior Almeida
Agradecimento ao Miura Clube do Rio de Janeiro e ao Miura Clube do Rio Grande do Sul pelo material fotográfico
Agradecimento ao Miura Clube do Rio de Janeiro e ao Miura Clube do Rio Grande do Sul pelo material fotográfico
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